06/04/2021 às 18h02min - Atualizada em 06/04/2021 às 18h02min

Estudo que verifica relação entre comércio e proliferação da COVID-19 deve ser feito em PG

Pesquisa é inspirada em estudo realizado no município de Telêmaco Borba

Da assessoria
Foto: Divulgação
Um estudo realizado na cidade de Telêmaco Borba, que acompanhou a evolução de casos de COVID-19 no município, vinculou fatores externos como aumento de fluxo de pessoas, atividades industriais, entre outros, com os principais focos de contaminação. O levantamento foi feito ao longo de um ano pelo empresário Alison Ricardo Avelar, associado da Associação Comercial e Industrial de Telêmaco Borba (ACITEL), com base em dados fornecidos pelo município e números obtidos junto a um questionário enviado a mais de 100 empresários da cidade.

De acordo com o estudo, os 116 empresários à frente de 1.005 colaboradores relataram a ocorrência de apenas 35 casos de COVID-19 de março de 2020 a janeiro de 2021. Em contrapartida, Telêmaco Borba chegou a registrar médias de mais de 500 casos confirmados por dia.

Essas altas de contaminação, explica Avelar, não tiveram relação com os períodos de maior movimentação no comércio, ao mesmo tempo em que se verificaram outros fatores externos que podem ter contribuído para a alta de casos. "Acompanhei leis, decretos, levei em consideração fatores na indústria local, no comércio, considerei episódios como manutenção e ampliação nas indústrias, chegada e saída desse pessoal na região. Peguei feriados e datas que envolvem o comércio, linkei esses fatores com as variantes de índice de contaminação, e nenhuma delas levaram a alguma relação com o comércio. Comparei as datas que mais tiveram volume de movimento no comércio e nenhuma teve relação com aumento de casos", explica o empresário.

"Chama bastante a atenção e ficou evidente que o grande problema pelos picos de contaminação foi a chegada de trabalhadores, e no final do ano, a circulação de pessoas entre cidades em decorrência das férias. Em qualquer evento fora da normalidade é que registraram estes picos maiores. A gente procurou com esse estudo demonstrar que as ações tomadas não estão tendo eficácia por estarem sendo direcionadas ao comércio que, embasado no estudo, não é foco de contaminação. Basta ver que o número de casos continuou subindo, mesmo com restrições. O que se espera é que demonstrado os fatores externos que estão levando a esse alto número de casos, as autoridades do município voltem suas ações para os reais focos de contaminação. Existem medidas restritivas desde dezembro, mas casos continuam subindo", argumenta Alison Avelar.

Ponta Grossa 

O trabalho desenvolvido pelo empresário deverá ser apresentado à Prefeitura, bem como deverão ser alinhadas iniciativas para que se façam estudos nos mesmos moldes em outras cidades da região. ACITEL, Coordenadoria de Associações Comerciais e Industriais do Centro do Paraná (CACICPAR) e Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (ACIPG) trabalham para que outros levantamentos sejam realizados em cada região. "A gente precisa ter números em cima da nossa realidade. [Em Telêmaco Borba] foi feita uma pesquisa, não chegou simplesmente dizendo 'não teve contaminação no comércio'. Não, foi feito um levantamento. É preciso que se tenha um estudo sobre isso. Daqui a algumas semanas vão surgir vários casos e de novo quem vai pagar a conta é o comércio", afirma Flavia Barrichello, diretora de Comércio da ACIPG.

O propósito deste estudo, explica Alison Ricardo Avelar, é apontar soluções para os municípios, e que não se tomem medidas equivocadas que venham a penalizar um determinado setor, sem que reduzam os danos causados pela pandemia de Covid. "Pretendemos juntar os dados das planilhas da ACITEL com os dados da indústria e da saúde, se existirem, para ajudar na leitura dos verdadeiros focos de contaminação. O estudo do comércio já mostra para o Executivo que as ações estão focadas no local errado. Queremos auxiliar o município a rever seus conceitos e isso automaticamente ajudará a reverter a restrições que vem durante penalizando o comércio, sem qualquer eficácia. Enquanto não se combater a contaminação de forma correta, ficaremos sempre à mercê do ciclo viral e da contaminação geral da população", explica.

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