10/04/2021 às 10h53min - Atualizada em 10/04/2021 às 10h53min

​“Empresas chinesas já atuam no Brasil há tempos”, diz Aliel sobre polêmica do 5G

Parlamentar destaca que a CCTCI está cumprindo um “papel importante” no processo de fiscalização e de acompanhamento da implementação da rede

Por Rafael Guedes
Foto: Divulgação
Desenvolvimento das redes 3G e 4G, a rede 5G promete inaugurar uma nova era no mundo, não só por proporcionar maior velocidade de conexão à Internet nos telefones celulares, mas também por permitir que objetos se conectem e cidades ganhem inteligência. Tecnologia que já vem sendo empregada em vários países desde o início de 2018, a implementação da rede no Brasil só começou a tomar forma no dia 25 de fevereiro último, quando a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) publicou o edital do leilão da rede.

Entre as empresas mais cotadas para implementar a tecnologia no país, está a chinesa Huawei, líder global no desenvolvimento do 5G. E é aqui que a polêmica começa. Influenciado pelo então mandatário dos Estados Unidos, Donald Trump, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ensaiou um movimento no sentido de proibir a participação da empresa asiática no leilão, sob o argumento de que os chineses estariam interessados em roubar dados do governo e dos cidadãos brasileiros. Apesar de Bolsonaro ter recuado, permitindo que a empresa participe do leilão, os apoiadores do presidente continuam a insistir na teoria da espionagem chinesa.

Na visão do deputado federal Aliel Machado (PSB), presidente da Comissão de Ciência, Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI), é “lógico” que existe uma preocupação relativa à segurança, mas os editais e protocolos devem garantir que não haja roubo de dados. “É importante ter essa preocupação. Mas isso acontece desde a implementação da Internet. As questões da soberania nacional, da proteção de dados do usuário, da proteção de dados governamentais, são muito importantes. E é por isso que, junto com a implementação dessa nova tecnologia, dentro dos editais, dentro dos protocolos de segurança, são estabelecidas as regras”, explica.

Sem fundamento 

De acordo com o parlamentar, a paranoia em torno da questão, além de ser danosa para o desenvolvimento do Brasil, não tem fundamento, visto que empresas chinesas já atuam no país há muito tempo. “Essas mesmas empresas chinesas já atuam no Brasil, inclusive com parcerias governamentais. O Banco Central utiliza tecnologia dessas empresas, a Receita Federal utiliza equipamentos e tecnologias dessas empresas, bancos brasileiros utilizam essas tecnologias. Então, é importante, sim, nós termos todo o cuidado, mas não podemos deixar que os interesses de outros países atrapalhem a evolução tecnológica que o Brasil está tentando implementar”, comenta. 

Disputa de mercado

De acordo com o parlamentar, o interesse pela questão da segurança não é apenas governamental, mas também mercadológico. O deputado comenta que há uma “disputa de mercado” em relação à implementação da tecnologia. E, para garantir que as empresas chinesas fiquem de fora, vale tudo – até mentir. “O grande problema é que, muitas vezes, ‘fake news’, mentiras, são espalhadas porque há uma disputa entre países na discussão que envolve a implementação da tecnologia, que envolve muito dinheiro. E isso acaba criando um medo desproporcional nas pessoas”, observa. 

Fiscalização 

Para garantir que a tecnologia não cause prejuízos ao Brasil, o parlamentar destaca que a CCTCI está cumprindo um “papel importante” no processo de fiscalização e de acompanhamento da implementação da rede, “com a esperança de que o país vai avançar muito com essa grande conquista”. “Importante destacar ainda que os técnicos e o próprio Governo, no edital, não fizeram nenhum tipo de exclusão desse tipo de participação, de maneira acertada, porque isso traz mais lisura ao processo e pode trazer mais ganhos ao país”, conclui.

Prazo 

De acordo com o edital publicado pela Anatel, as empresas deverão começar a ofertar o 5G nas capitais e no Distrito Federal até julho de 2022. Para municípios com mais de 500 mil habitantes, o prazo limite é julho de 2025; para aqueles com população acima de 200 mil, julho de 2026; e, para os com mais de 100 mil, julho de 2027.

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