09/02/2021 às 11h34min - Atualizada em 09/02/2021 às 11h34min

Artigo: "Saúde mental em tempos de pandemia", por Ana Paula Escorsin

O isolamento estreita os espaços e transmite a sensação de pouca autonomia, podendo acarretar em conflitos familiares, profissionais e pessoais

Ana Paula Escorsin
Foto: Freepik

A COVID-19 impacta a vida das pessoas com a mudança na rotina e nas relações socioafetivas, e coloca as organizações e os indivíduos diante de uma constatação: a necessidade de olhar para a saúde mental. 

A saúde mental não é o contrário de doença mental, mas a capacidade de uma pessoa compreender que ninguém é perfeito; que os limites existem; que as mudanças fazem parte da vida; e que é possível lidar com o cotidiano de forma equilibrada e vivenciar emoções como tristeza, raiva, frustração, amor, satisfação, alegria, pois tudo isso faz parte do dia a dia.

A quarentena coloca restrições sociais: crianças e adolescentes estudando em casa ou sem escola; e pais, mães, companheiros (as) e amigos (as) fazendo trabalho remoto. Alguns perderam os seus empregos ou tiveram recursos financeiros alterados. O isolamento estreita os espaços e transmite a sensação de confinamento pela pouca autonomia de mobilidade. Tal estreitamento pode acarretar em conflitos familiares e dificuldade nas relações de trabalho e na relação da pessoa consigo mesma.

Há a impressão de se estar vulnerável, o que não é sinal de fraqueza. A vulnerabilidade é uma característica do ser humano, uma vez que a incerteza, o risco e a exposição emocional estão presentes na vida de qualquer um. A pandemia trouxe à tona a vulnerabilidade como uma oportunidade para se acolher as emoções do cotidiano.

Essa experiência vem elevando o grau de algumas perturbações, como:

- Estresse: um conjunto de reações não específicas desencadeadas quando uma pessoa é exposta a um estímulo ameaçador. Ao chegar à fase de exaustão, pode alterar o mecanismo de adaptação, promovendo esgotamento físico, mental e psicológico, e o aparecimento de doenças mais graves. 

- Síndrome de Burnout: uma doença relacionada ao estresse elevado e crônico em relação ao trabalho. É constituída de um conjunto de sintomas que afetam as condições físicas, mentais, emocionais e familiares, e pode causar enfermidades graves.

- Ansiedade: refere-se à excitação no sistema orgânico, constituída por uma série de efeitos musculares, como taquicardia e tremores, ligada a alguma situação ou experiência. Caracteriza-se por uma sensação de medo ou nervosismo, gera dificuldade de concentração, fadiga e insônia. Em estado mais grave, evolui para síndrome do pânico.

- Depressão: caracterizada pela perda da autoestima, da motivação e da energia vital. Pode dar à pessoa a sensação de baixa possibilidade para alcançar objetivos pessoais e/ou profissionais em razão de se sentir desorientada, triste e com vazio interior.

O que fazer? 

Identificar que algo não vai bem é o primeiro passo. Rever rotinas, prioridades, delegar responsabilidades e aprender a dizer "não" são as próximas ações. Procurar ajuda é fundamental, pois a saúde mental é a capacidade de a pessoa buscar ajuda quando se encontra diante de alguma dificuldade para lidar com as diferentes transformações que estão acontecendo em sua vida. 

A quem recorrer?

Sugere-se que as pessoas afetadas por essas condições procurem profissionais da área de saúde, como médico, psicólogo, psiquiatra, enfermeiro, assistente social, ou uma pessoa de confiança, como gestor, familiar, amigo ou mentor religioso. 

Conflitos, dilemas e perturbações são típicos do ser humano.  O cuidado com a saúde mental precisa fazer parte do cotidiano e da vida de qualquer pessoa.

ANA PAULA ESCORSIN 
é psicóloga, professora do Centro Universitário Internacional Uninter e especialista em psicologia analítica, com formação em coaching e mestrado em educação. 


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