09/02/2021 às 12h04min - Atualizada em 09/02/2021 às 12h04min

Mais pobres levarão cerca de dez anos para se recuperar da crise causada pela pandemia, diz relatório

Entidade também revela que a crise nos empregos é a pior dos últimos 90 anos, com aproximadamente meio bilhão de pessoas subempregadas ou desempregadas, enfrentando miséria e fome

Da redação
Foto: Freepik
A Oxfam, confederação internacional que atua em busca de soluções para a pobreza e a desigualdade, concluiu em seu relatório 'O Vírus e a Desigualdade' que as pessoas mais ricas do mundo levarão nove meses para se recuperar financeiramente e repor o que perderam devido ao impacto econômico da COVID-19. Enquanto isso, os mais pobres devem levar mais de dez anos, ou seja, 14 vezes mais.

O relatório foi lançado na abertura do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, no dia 25 de janeiro, e mostra que bilionários do mundo todo acumularam US$ 3,9 trilhões entre 18 de março e 31 de dezembro de 2020, totalizando uma soma de US$ 11,95 trilhões — o mesmo valor que os governos do G20 gastaram em ações de combate à pandemia.

Os US$ 540 bilhões acumulados apenas pelos dez maiores bilionários do mundo seriam o suficiente para pagar pela vacina contra a COVID-19 para todo o mundo e garantir que ninguém chegue à situação de pobreza, pontua o relatório.

Privilegiados

A diretora-executiva da Oxfam Brasil conta que o cenário do coronavírus deixou as injustiças mais aparentes. “A pandemia escancarou as desigualdades no Brasil e no mundo. É revoltante ver um pequeno grupo de privilegiados acumular tanto em meio a uma das piores crises globais já ocorridas na história. Enquanto os super-ricos lucram, os mais pobres perdem empregos e renda, ficando à mercê da miséria e da fome.”

Desemprego

A Oxfam também revelou que a crise ocasionada nos empregos é a pior dos últimos 90 anos. Estima-se que cerca de meio bilhão de pessoas estão agora subempregadas ou sem emprego, enfrentando miséria e fome. Antes da pandemia, 75% dos trabalhadores e trabalhadoras do mundo não tinham acesso a proteções sociais como auxílio-doença ou seguro-desemprego, como observa a Organização Internacional do Trabalho (OIT).


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