15/04/2021 às 15h05min - Atualizada em 15/04/2021 às 15h05min

Veja como a aprovação do PL do "kit covid" repercutiu entre os vereadores que votaram contra

"Inadmissível", "perda de tempo" e "política genocida" foram algumas das formas como os parlamentares classificaram a aprovação

Da redação
Foto: Divulgação
O Projeto de Lei (PL) 35 / 2021, que autoriza a compra de medicamentos do chamado "kit covid" pelo município, foi aprovado em primeira discussão, com 12 votos a favor e cinco contra, pela Câmara Municipal de Ponta Grossa (CMPG) na tarde desta quarta-feira (14). 

Os vereadores que votaram a favor são os seguintes: Missionária Adriana (SD); Daniel Milla Fraccaro (PSD); Divonsir Pereira Antunes (PSD); Edelmar Pimentel (PSB); Pastor Ezequiel (Avante); Felipe dos Passos (PSDB); Filipe Chociai (PV); Jairton da Farmácia (DEM); Dr. Zeca (PSL); Leandro Bianco (Republicanos); Léo Farmacêutico (PV); e Paulo Balansin (PSD). Os parlamentares que votaram contra são: Geraldo Stocco (PSB); Izaías Salustiano (PSB); Joce Canto (PSC); Josi do Coletivo (PSOL); e Julio Kuller (MDB).

Inadmissível

Imediatamente após a aprovação, a maioria dos vereadores contrários ao PL se pronunciou nas redes sociais. Em publicação no Facebook, Geraldo Stocco classificou o acontecimento como "inadmissível". "Fui contrário por não concordar em destinar esforços e recursos públicos para tais medicamentos, que infelizmente não têm comprovação científica. O que acontece hoje é que muitos médicos já receitam e muitas pessoas tomam tais remédios. OK, é direito de cada um tomar. Mas não posso concordar em aprovar uma lei que incentiva o uso e que vende o tratamento como a salvação da pandemia. Inadmissível", escreveu o parlamentar. 

Na visão de Stocco, só há duas formas de mudar a situação: pela conscientização das pessoas e, principalmente, pela vacina. "Se for para a parceria privada bancar cloroquina, o nosso pedido é que banquem equipamentos de proteção de qualidade para as Unidades Básicas de Saúde; que esse dinheiro seja utilizado em insumos para as UTIs ou até mesmo para contratar mais profissionais", acrescenta. 

Sem comprovação 

Embora não seja contra o uso dos medicamentos, desde que receitados por profissional médico, Joce Canto afirmou, em publicação na mesma rede social, que preferia que os esforços se concentrassem na compra de vacinas. "Hoje eu votei contra o projeto do tratamento precoce por entender que não existe comprovação científica do mesmo. Não sou contra quem faz uso do kit covid, desde que receitado por um profissional médico. Porém, nós, como poder público, precisamos concentrar nossos esforços na compra de vacinas, pois essa, sim, tem comprovação científica", escreveu a parlamentar. 

Política genocida

Em postagem no Twitter, o Coletivo do PSOL, que tem como titular a vereadora Josiane Schade Kieras, foi mais contundente e afirmou que a bancada cristã da Câmara, responsável por apresentar o projeto, preferiu apoiar a "política genocida" atribuída pelo mandato coletivo ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido). "A Câmara de Ponta Grossa aprovou o PL do kit covid. O mandato coletivo e o bloco de oposição votaram a favor da ciência e contra o negacionismo. A maioria dos vereadores preferiu apoiar a política genocida de Bolsonaro. A história os julgará!", publicou. 

Perda de tempo

Menos atuante nas redes sociais, Julio Kuller conversou com a reportagem do portal 'NCG' sobre a aprovação do PL. Na opinião do parlamentar, a discussão e a própria aprovação do Projeto foram uma "perda de tempo". "Na minha opinião, perdemos duas horas de discussões para aprovar uma coisa que já está válida. O tratamento precoce já é prescrito por alguns médicos, e nós tivemos uma longa discussão a respeito de um assunto que já está passado", aponta. 

O vereador afirma que não se deve "empurrar" os médicos a prescreverem os medicamentos do "kit covid", mas deixar a decisão a cargo de cada um. "A prescrição médica depende de cada profissional, e nós não podemos empurrar para que os médicos acabem fazendo essa prescrição forçados. Então, o que se deixou claro no Projeto, e na Lei agora, que vai ser sancionada, é que os médicos poderão prescrever aqueles medicamentos", comenta Kuller.

O parlamentar ressalta ainda que, na opinião dele, era melhor ter usado o tempo gasto na sessão para discutir a falta de insumos nos hospitais e a demora na vacinação. "Tudo isso tem causado muitas mortes, não só em Ponta Grossa, mas no Brasil todo", observa. 

Temeroso 

Na visão de Izaías Salustiano, um Projeto que vota "contra a ciência” é "temeroso". Em entrevista ao ‘NCG’, o parlamentar argumentou que os medicamentos do "kit covid" não têm eficácia comprovada pela comunidade médica. Além disso, o vereador comenta que o Projeto vai criar uma falsa expectativa na população. "Apesar de a emenda sobre a obrigatoriedade do município de comprar e distribuir esses medicamentos ter sido retirada, o Projeto vai fomentar o interesse das pessoas, que vão achar que podem tomar esses medicamentos de forma indiscriminada, e vai criar uma falsa expectativa no povo. As pessoas vão achar que, com a aprovação do Projeto, terão acesso aos medicamentos, que eles serão distribuídos na rede pública", afirma. 

Assim como Kuller e Stocco, Salustiano lembra ainda que os médicos já podem prescrever os medicamentos do "kit covid". Todos esses fatores somados, o Projeto fica “sem fundamento”, observa o parlamentar. “Se não há a obrigatoriedade de o município adquirir esses medicamentos e distribui-los gratuitamente, e se o uso desses medicamentos depende da prescrição médica, pois hoje os médicos já estão prescrevendo, então o Projeto não tem fundamento. Aliado a isso, a comunidade médica e os próprios fabricantes já falaram várias vezes que esses medicamentos não têm eficácia contra a COVID-19", conclui. 

Notícias Relacionadas »