10/02/2021 às 10h33min - Atualizada em 10/02/2021 às 10h33min

Marcio Ferreira, o Super-Homem de PG, fala sobre política, super-heróis, artes marciais, direita e muito mais

Político também aborda a relação com os irmãos Marcelo Rangel e Sandro Alex, as conquistas como ex-secretário de Obras e Serviços Públicos, e os desafios do meio ambiente no município

Por Rafael Guedes
Foto: Tony Olliver

Quando se fala em Marcio Ferreira, muitos ponta-grossenses ainda pensam em um sujeito vestido de Super-Homem fiscalizando obras de infraestrutura. Apesar de essa imagem não estar totalmente distante da realidade, o ex-secretário municipal de Obras e Serviços Públicos garante que fez muito mais do que isso enquanto comandou a pasta. “Fizemos trabalhos extraordinários, coisas que ninguém nunca fez. Inclusive, fazíamos coisas que nem eram função da Secretaria”, afirma. Atualmente trabalhando ao lado do secretário estadual de Infraestrutura e Logística, Sandro Alex, Ferreira inspeciona obras do Governo do Estado em diversas regiões. “Estou filiado ao PSL, mas sou leal ao ex-prefeito Marcelo Rangel [PSDB] e ao secretário Sandro Alex [PSD]. Sigo com eles a nossa jornada política”, explica. Na entrevista a seguir, ele fala sobre vida pessoal, super-heróis, artes marciais, política, Ponta Grossa, direita, passado e futuro. Oportunidade única de conhecer a verdadeira identidade do super-herói dos Campos Gerais.


Você nasceu em Ponta Grossa, mas passou a infância em Ortigueira, onde conviveu com índios e quilombolas. O que essa convivência lhe ensinou?


Aprendi com eles o valor da amizade e o respeito pelos animais, pelos rios, pelas florestas e pelas futuras gerações. Nem quando eu vim para a cidade grande aprendi tanta coisa como aprendi com eles. Sempre me falavam: “Nunca faça mal a ninguém, porque isso vai te acompanhar pelo resto da vida. Só faça o bem.”

 

Você é fã de super-heróis desde pequeno. Como os super-heróis ajudaram a formar o seu caráter?


O senso de justiça. Os super-heróis estão em nosso inconsciente como aquilo que gostaríamos de ser. A dignidade, a seriedade e a integridade devem prevalecer sempre. Nunca pise no lamaçal podre onde andam as pessoas sem caráter.

 

Um dos super-heróis que você mais admira é o Super-Homem. O que te encanta nesse personagem?


Ele é a personificação da justiça, daquele que, mesmo tendo perdido tudo – seus pais, sua família, seu mundo –, ainda se manteve digno e nunca deixou de seguir o seu propósito: lutar por um mundo onde todas as pessoas possam viver livres e felizes.




Quando não está trabalhando, o que você gosta de fazer para se distrair?


Gosto de estar com a minha família e de conversar com os meus amigos num café. Eu nunca bebi nada de álcool, nunca fumei, nunca experimentei drogas, mas adoro café. E também gosto de cuidar dos meus cães, dos meus animais, e de defender a natureza. A minha vida é simples, mas muito corrida. Acordo todos os dias às 5h. Assim tenho tempo de fazer outras coisas durante o dia, principalmente ver o nascer do sol, uma obra-prima da natureza que Deus nos presenteou e que poucos veem, infelizmente.

 

Você é um entusiasta das artes marciais. O que lhe atrai nesse universo?


A hierarquia, o respeito ao mestre e aos parceiros de treino. As artes marciais me ensinaram que, muitas vezes, uma derrota nos ensina muito mais que uma vitória. É bom subir no pódio, mas ter humildade é mais importante.

 

Você é faixa azul de Jiu-jitsu. Como começou a sua relação com essa arte marcial?


Pouca gente sabe, mas fui eu que trouxe o Jiu-jitsu para Ponta Grossa. Na época, eu treinava em Curitiba, com o Mestre Penão. E aí convidei ele para ministrar aulas para um grupo nosso. O mestre Penão veio e tudo começou. Depois vieram outros mestres e outras academias surgiram. Eu nunca quis sair da faixa azul. Fiz igual ao mestre Hélio Gracie [fundador do chamado Jiu-jitsu Brasileiro], que voltou a colocar a faixa branca. Ele fez isso porque muitos “faixas pretas” não passariam em um treino contra um reles faixa azul. Alguns desses deveriam ter mais respeito pela faixa preta. A grande lição que o Jiu-jitsu nos ensina é seguinte: “Na hora que te derrubam é que você fica mais perigoso.” Serve para tudo na vida. E nos negócios também.

 

Você foi secretário municipal de Serviços Públicos do ex-prefeito Marcelo Rangel. Atualmente qual é o seu trabalho na área política?


Estou filiado ao PSL [Partido Social Liberal], mas sou leal ao ex-prefeito Marcelo Rangel [PSDB] e ao deputado federal e secretário estadual Sandro Alex [PSD]. São pessoas da mais alta estatura moral, trabalhadores ao extremo, e sigo com eles a nossa jornada política. É uma honra estar com eles.

 

Na sua avaliação, quais foram as suas maiores conquistas como secretário municipal de Obras e Serviços Públicos?


Fizemos trabalhos extraordinários, coisas que ninguém nunca fez. Prestei contas dos nossos trabalhos todos os dias para a população ponta-grossense. Nunca tivemos uma vírgula de coisa errada. Inclusive, fazíamos coisas que nem eram função da nossa Secretaria, como, por exemplo, a limpeza de 54 arroios, as praças sustentáveis, a revitalização de locais públicos abandonados, a restauração de bens públicos abandonados e destruídos, fora os leilões de carros e caminhões sucateados, que infestavam a sede da Secretaria de ratos e sujeiras gigantescas. As nossas licitações eram exemplares. Fui o único secretário a convidar o Laboratório Social para participar das licitações. Reformamos a oficina, o restaurante, o almoxarifado e demos uniformes novos e modernos aos funcionários. Fizemos uma revolução na Secretaria, e a população via o nosso trabalho desde as 5h da manhã, de segunda a sábado. Era trabalho de verdade, e nunca tivemos um único caso de corrupção ou de mau uso do dinheiro e do patrimônio público, e jamais qualquer desrespeito aos servidores.

 

Você já declarou que um dos grandes problemas de Ponta Grossa era a falta de planejamento. Na sua opinião, o município avançou nesse sentido?


Sim, o prefeito Marcelo Rangel deu um norte à cidade. Hoje sabemos para onde vamos crescer e temos estrutura para isso. A cidade está crescendo verticalmente, e isso é muito bom. O custo é muito menor para o município, e podemos reorganizar os locais que até hoje não têm asfalto nem saneamento básico.



 

Uma de suas grandes bandeiras como agente político é a proteção dos animais. Como você avalia as políticas governamentais do município nessa questão?


No governo do prefeito Marcelo Rangel, conseguimos vitórias exemplares. Durante os oito anos das duas gestões, castramos mais de 20 mil cães e gatos. Foi o maior trabalho em prol dos animais da nossa história. Foi criado o CRAR [Centro de Referência para Animais em Risco]; o Castramóvel chegou; e a contratação das clínicas veterinárias foi algo excelente. Também tinha desconto no IPTU para quem adotasse um cão. Muita coisa boa foi feita. Espero que a prefeita Elizabeth continue nessa linha.

 

Se pudesse criar uma política governamental voltada ao cuidado com os animais, qual seria?


Eu faria uma licitação para a contratação de 20 clínicas particulares. Nada de hospital veterinário, isso já foi provado que não dá certo, em Porto Alegre, São Paulo e em outras capitais do nordeste. Uma clínica em cada bairro da cidade, e faríamos a castração de todos os cães e gatos em quatro anos, resolvendo esse problema de uma vez por todas. Dinheiro para isso existe. E é o único caminho. Porque estaríamos incentivando os nossos veterinários a fazerem o seu trabalho. Chega de elefantes brancos como hospitais veterinários, que custam R$ 10 milhões. Prefiro pagar diretamente aos veterinários somente pelos seus serviços. Creio que eles concordam com a ideia. E precisamos também de um convênio com o CETAS [Centro de Triagem de Animais Silvestres], para cuidarmos dos animais silvestres. Existe dinheiro para isso também.


Outra das suas bandeiras é a do meio ambiente. Muitas pessoas acreditam que o cuidado com o meio ambiente atrasa o desenvolvimento. Para você, como a preservação do meio ambiente pode conviver com o progresso?


Não existe progresso sem respeito ao meio ambiente. A legislação é moderna, mas ninguém é punido. Existe um consenso que a economia digital e a economia verde são o futuro da humanidade. Não podemos deixar de fazer isso no Brasil. Os nossos líderes políticos devem avançar os seus governos nesse sentido. Chega de bravatas e de corrupção nesse setor e em todos os outros. O planeta Terra merece respeito e consideração. Todos os seres vivos têm o mesmo direito que nós de viverem as suas vidas dignamente.


Se pudesse emplacar um projeto voltado ao meio ambiente em Ponta Grossa, qual seria?


A limpeza de todos os nossos arroios. São 150 quilômetros de águas poluídas. É uma vergonha para a nossa cidade. Isso tem um custo alto para todas as famílias. Muitas doenças em nossas crianças surgem do descaso com os nossos arroios. Muitas pessoas pensam que arroio é lixeira.




Você é assumidamente de direita. Para você, o que é ser de direita? O que um direitista defende?


Defendo um capitalismo moderno e democrático, uma economia liberal em que a concorrência dite os preços. O Brasil nunca foi capitalista. Pelo contrário, ainda é muito socialista. São centenas de estatais e uma legislação arcaica, que não incentiva o empresário. Basta ver que, para abrir ou fechar uma empresa, o tempo de duração é de aproximadamente um ano. A burocracia desmotiva qualquer empresário.

 

Como você avalia o governo Bolsonaro? Onde ele tem acertado e onde tem errado?


Tem acertado muito mais do que errado. Está privatizando, não temos mais corrupção no governo, temos pessoas honestas e dignas administrando o Brasil. Isso é muito bom. A pandemia prejudicou todos os países, mas o Brasil vem avançando muito, todos estão tendo oportunidades. Basta investir e trabalhar que o resultado vem.

 

Na sua visão, o que a esquerda pode aprender com a direita?


Temos que conviver com respeito ao contraditório. Ninguém é dono da verdade. Infelizmente, nos países em desenvolvimento ainda existe uma percepção de que ser de direita é defender um regime autoritário, militar. Mas, na verdade, é a defesa de um país democrático e liberal na essência, em todos os segmentos – economia, política, religião e assim por diante. Temos que aprender a ser respeitosos uns com os outros e chegar a um denominador comum em um regime democrático, ou seja, nos debates nas casas de leis. E, para isso, temos as eleições e a alternância de poder.

 

E o que a direita pode aprender com a esquerda?


Que o poder é cíclico. Quem for mais eficiente e honesto vai ficar mais tempo no poder, mas nunca para sempre. A alternância é salutar.



Qual é o futuro político de Marcio Ferreira? Pretende se candidatar a algum cargo eletivo nos próximos anos?


Eu sou muito crítico a mim mesmo, me cobro demais, e, por isso, tenho comigo que só devo me candidatar um dia se eu realmente tiver chances de me eleger. Tenho os meus propósitos de vida e quero lutar por eles, mas é algo que quero fazer com o pé no chão, com seriedade máxima. Jamais negociarei os meus princípios e valores. A minha consciência não está à venda. Eu gosto muito da política, mas a busca pela justiça e pelo bem das pessoas e da natureza está acima da política partidária, bem acima. 

 


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