14/02/2021 às 16h23min - Atualizada em 14/02/2021 às 16h23min

“Elite é quem se destaca no que faz”, diz Rômulo Cury, um dos mais atuantes colunistas sociais de PG

Sem fugir das perguntas difíceis, o colunista fala sobre trajetória profissional, colunismo social, sociedade e muito mais

Por Rafael Guedes
Foto: Laertes Soares
O colunismo social entrou na vida de Rômulo Cury por acaso. Ele era acadêmico do curso de Direito da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) e circulava pelos mais diversos tipos de eventos, quando um site e revista de circulação estadual lhe convidou para assinar uma coluna em seu espaço. Isso foi há 17 anos. Desde então, ele abraçou a profissão e criou o seu próprio estilo de fazer colunismo social, atuando tanto nas páginas da mídia tradicional quanto nas redes sociais – especialmente em seu perfil no Instagram, onde já acumula mais de 30 mil seguidores.

Paralelo ao trabalho como colunista social, Rômulo também atua como "party designer" na Rômulo Cury Eventos, por meio da qual já organizou eventos para algumas das gigantes de Ponta Grossa e região, como Madero, Heineken, BO Packaging, Ramada Encore e Cotrasa - Scania. Com a elegância e a cordialidade que lhe são características, mas também sem fugir das perguntas difíceis, na entrevista a seguir ele fala sobre trajetória profissional, colunismo social, sociedade ponta-grossense e muito mais.

Este ano, você completa 17 anos de colunismo social. Na sua visão, qual foi a sua principal contribuição para esse segmento em Ponta Grossa?

Vejo o meu papel como colunista social de forma diferente de muitas pessoas. Acredito que o meu papel é dar voz às pessoas, às boas causas e às celebrações da nossa terra e da nossa gente. Os principais diferenciais de meu trabalho são os ensaios festivos, em que destaco mulheres empoderadas, valorizo famílias, destaco os laços entre pais e filhos, e registro o amor indescritível de avós com os seus netos, tudo isso valorizando e fomentando o comércio local.

Qual é a principal qualidade de um bom colunista social, na sua opinião?

Eu acredito que é ter perspicácia, um olhar apurado sobre política, economia e negócios, e saber transitar. Um bom colunista social deve ser, acima de tudo, um observador daquilo que acontece ao seu redor.




E qual é o pecado que um colunista social nunca deve cometer?

Eu acho importante não ser invasivo. Saber o seu lugar e respeitar a individualidade de cada personagem que aparece na sua coluna. Há pessoas que se tornaram grandes amigas nesse meio e há outras que eu sei que devo guardar a necessária distância, mas ambas são divulgadas se aquilo que realizam é algo noticioso e merece ser valorizado. Eu não trago para o meu trabalho o meu gosto pessoal ou as minhas preferências de relacionamento.

Muitos colunistas surgem, fazem um pouco de “barulho” e depois desaparecem. Qual é o segredo da permanência?

Acredito que seriedade, inteligência e trânsito fazem a distinção entre um bom colunista e os aventureiros que surgem e partem na velocidade dos cometas. Muitas pessoas enxergam o colunismo como uma forma de circular em bons eventos, conhecer pessoas influentes e usar isso para pedir favores. Essas pessoas infelizmente geram um descrédito para os profissionais sérios. Mas, como digo, seriedade no trabalho traz credibilidade e reputação, e isso poucos efetivamente conseguiram até hoje.



Você acredita que o perfil do colunismo social mudou nos últimos anos? Ou ainda é uma coisa voltada apenas à chamada “alta sociedade”?

Mudou muito essa questão com o passar dos anos, inclusive a alta sociedade, como se dizia no passado, já não existe mais. O que temos são pessoas que se destacam em seu setor e pessoas que não se destacam. Eu busco dar luz àquele que faz a história, que ajuda a cidade a prosperar, seja no agronegócio, no setor produtivo, empresarial ou político. Todos podem circular na coluna social. Basta se destacar no que faz. A tradição do passado pouco a pouco perdeu a sua importância.

O que torna uma pessoa digna de aparecer em uma coluna sua?

Eu tenho uma agenda de contatos vasta e busco valorizar quem faz história e estar antenado ao momento presente. Também é importante conhecer um pouco da trajetória das pessoas que circulam na coluna.



Algumas pessoas ainda pensam que o colunismo social é uma futilidade. Qual é, na sua opinião, a importância do colunismo social?

Acho que o tempo em que vivemos mostra que o colunismo social não é mera futilidade, como por muito tempo foi tachado. As redes sociais e a exposição exagerada da vida privada têm esse papel e mostram que as pessoas adoram fazer isso e que muitas o fazem de forma extremamente desagradável e sem filtro. O colunismo social faz um recorte da sociedade, do modo que se vive, do modo que se consome, e de quem constrói o desenvolvimento econômico, social e político de uma cidade. O colunismo social caminha com a construção histórica de uma cidade.

Além de colunista, você também atua como “party designer” à frente da Rômulo Cury Eventos. Qual é a importância de um evento bem organizado para uma marca?

Acredito que o evento de uma marca traz a sua personalidade. Todos os pontos de contato da marca com o seu público levarão a uma experiência, e é nisso que eu me concentro. Desde a recepção até a saída do evento, tudo deve corroborar para isso. Eu busco pensar em um evento sob o ponto de vista dos cinco sentidos: visão, olfato, paladar, audição e tato. Tudo tem que falar sobre a experiência da marca ou serviço, e ter harmonia.

Qual foi o evento mais desafiador que você organizou até hoje?

Creio que inaugurações são desafiadoras pela expectativa dos clientes e do público. Eventos com público estrangeiro também exigem um cuidado por conta das questões culturais, que devem ser respeitadas. Passei por esse desafio algumas vezes, e, além de mostrar as minhas ideias, aprendi muito junto com a equipe da empresa.



Muitas das grandes empresas da região escolhem você para fazer os eventos delas. Qual é, na sua visão, o grande diferencial do seu trabalho nesse segmento?

Acho que as minhas entregas falam por mim. Sou rígido com parceiros, não abro mão de bons fornecedores que eu sei que me auxiliarão a ter harmonia acima de tudo. Eu acredito  que unir o meu papel como colunista, que sabe identificar uma boa lista de convidados e trazer isso para a área de eventos, também soma muito.

Segundo a sua experiência, qual é o principal ingrediente de um evento de sucesso?

A harmonia entre todos os prestadores de serviço e a combinação exata entre todos os itens contratados devem criar uma atmosfera harmônica, dando uma sensação de aconchego a todos os convidados. Para o êxito de qualquer evento, é imprescindível a energia do anfitrião, o entusiasmo com que ele recebe e “curte” o evento. Pois, se estamos numa festa, estamos celebrando algo, e por isso uso a palavra “entusiasmo”, que significa explosão de alegrias, estar possuído por Deus.

O segmento de eventos foi um dos mais afetados pela pandemia do novo coronavírus. Na sua visão, o que essa experiência ensinou aos empresários do ramo?

Na realidade, o setor ainda não conseguiu retomar. Estamos com protocolos muito limitantes. A pandemia nos deu a oportunidade de nos reinventarmos. Eu, particularmente, criei e tive ideias muito inovadoras, que me ajudaram a seguir trabalhando mesmo que em um volume menor. Mas eu lamento que muitos profissionais da área estejam com grandes dificuldades financeiras e não saibam até quando aguentarão seguir dessa maneira.



Como colunista social e organizador de eventos, você frequenta muito a “alta sociedade” ponta-grossense. Pela sua experiência, qual é a maior virtude da elite local?

Sinceramente, eu acho que essa história de elite ponta-grossense é algo bastante engraçado. Para mim, elite é quem se destaca no que faz e cria algo que é importante ser conhecido e reconhecido. Nesse caso, a questão financeira não é um fator preponderante, mas eu vejo que há, sim, um potencial criativo, pessoas hábeis em investir em bons projetos e que merecem ganhar as páginas do jornal. A nossa cidade é rica de talentos em todas as áreas, e isso facilita o meu trabalho.

E qual é o maior defeito?

É difícil falar em defeitos se eu trabalho com essas pessoas e calibro o meu olhar para as suas virtudes, mas, como colunista, consigo perceber pessoas oportunistas e também tenho um certo faro para perceber negócios que não vão prosperar por conta da visão limitada de seus proprietários. Mas isso é algo pontual. A maioria das pessoas com que convivo geralmente acrescenta em minha carreira profissional.

Além de ser colunista e organizador de eventos, você também tem uma forte atuação beneficente. O que te motiva a se envolver com causas beneficentes?

Creio que, como consigo mobilizar pessoas em torno de marcas e empresas, também posso fazer isso para ajudar a sociedade e gerar maior prosperidade. Desde o início do meu trabalho como colunista e "party designer", eu sempre tive essa preocupação, e isso sempre foi muito agregador para a minha vida pessoal. De nada valeria o meu papel de relevância na sociedade local se eu não pudesse usar essa influência para ajudar os que precisam. Acredito que fazer o bem faz muito bem.



O que você ainda gostaria de realizar como colunista social e organizador de eventos?

Nossa, ainda há muito a se fazer. Tenho vontade de produzir eventos cada vez mais inovadores, que de alguma forma façam as pessoas pensarem: “Como ele teve essa ideia?” Como colunista social, é meu dever sempre me reinventar, trazer um olhar diferenciado das redes sociais e buscar contribuir com o desenvolvimento da cidade. Nesse caso, o meu trabalho e a minha história me ajudam a fazer isso diariamente. Sou muito vaidoso com as minhas entregas e procuro fazer o melhor em tudo que me envolvo.

Notícias Relacionadas »