22/04/2021 às 10h47min - Atualizada em 22/04/2021 às 10h47min

ARTIGO: “O que Deus tem a ver com a COVID-19?”, por Pastor Leonardo Tobias de Freitas

A humanidade já passou por momentos como esse antes. E, em todos eles, as pessoas levantam o questionamento: "Se Deus é bom, como pode permitir tamanho sofrimento?"

Por Leonardo Tobias de Freitas
Foto: Divulgação
Famílias destruídas, disputas políticas inquietantes, instabilidade econômica, a Saúde fazendo o que está ao seu alcance e os noticiários mostrando que, infelizmente, parece não ser o suficiente. Junto a tudo isso, quando se olha para o horizonte, nenhuma esperança se apresenta à humanidade. Diante desse cenário, sentimentos como o medo, a insegurança, a ansiedade, o desespero e o estresse são comuns a todos. Afinal, o que será de nós?

Quando olhamos para a história, vemos que a humanidade já passou por momentos como esse. E, em todos eles, as pessoas levantam o questionamento: "Se Deus é bom, como Ele pode permitir uma coisa dessas, como pode permitir tamanho sofrimento e dor?" A pergunta é legítima, visto que, em situações como essa, que nenhum esforço ou tecnologia humana é capaz de resolver, os holofotes são direcionados ao Criador, para alguns como culpado e para outros como esperança. E, diante desse paradoxo, ficamos a nos perguntar: o que Deus tem a ver com a pandemia da COVID-19?

Sempre que se fala em Deus, precisamos voltar os nossos olhos para a Bíblia. Foi nela que o Criador se revelou a nós, e é a partir dela que podemos entender o que está acontecendo. Em primeiro lugar, a Bíblia mostra em seu primeiro livro, Gênesis, que, em razão da desobediência da humanidade, o pecado entrou no mundo. O pecado é muito mais que condutas morais reprováveis diante de Deus. O pecado consiste no fato de que cada átomo do universo está corrompido e que o propósito de tudo foi deturpado. A partir dessa queda inicial, surgiram todas as anomalias, inclusive as doenças e pragas, como, por exemplo, a COVID-19.

Essa desobediência se deu pelo desejo da humanidade de ser como Deus, de não precisar depender de mais ninguém, ou melhor, de ser deus de si mesma, de "fazer as coisas do seu jeito". Depois disso, os homens se afastaram cada vez mais de seu Criador e de seu propósito. Aqueles que haviam sido criados à imagem e semelhança de Deus criaram deuses segundo a sua imagem e a sua semelhança, e os adoraram de modo a tentar preencher o vazio existencial e a necessidade intrínseca de transcendência que há em cada um de nós. Observando o quadro geral da história bíblica, é possível perceber que Deus não é culpado por aquilo de que nós, os seres humanos, somos responsáveis.

Em segundo lugar, a Bíblia mostra que Deus é soberano sobre tudo e sobre todos. Ao longo da narrativa bíblica, Ele se utilizou daquilo que é visto aos nossos olhos como "mal" para os Seus eternos propósitos. Situações como as que foram vividas por Noé, quando o Senhor abriu as comportas do céu e apenas uma família foi preservada; por Moisés, quando as pragas atingiram o Egito e apenas o povo de Israel foi preservado; por Eliseu, quando foi atacado pelo enorme exército sírio e mesmo assim foi preservado. Isso sem falar de outros meios "maus" utilizados por Deus para atingir a humanidade. O que todas essas situações têm em comum? Todas elas – todas, sem exceção – tinham o propósito de expor a vulnerabilidade humana, a soberania de Deus e o chamado ao arrependimento. 

Em terceiro lugar, a Bíblia mostra que, mesmo diante do caos, Deus sempre esteve com o Seu povo durante a história, providenciando a arca para Noé, o sangue do cordeiro nos umbrais das portas para Moisés e um exército celestial para Eliseu. Aliás, para a nossa própria condição de pecadores, Ele já nos forneceu a provisão: enviou-nos o Seu próprio filho, Jesus Cristo, que se despiu de toda a Sua glória divinal, largou as Suas vestes de rei e desceu à Terra como um simples homem. Durante a Sua vida terrena, Jesus não pecou. Ele foi o único homem que não pensou em si mesmo, que não tentou ser o Seu próprio deus e seguir os Seus próprios desejos. Ao contrário, em tudo obedeceu à vontade de Deus Pai, o Criador. Veio ao mundo, viveu como homem, não pecou, obedeceu ao Seu Pai e, mesmo sem ter cometido nenhum erro, foi morto sem merecer, condenado a uma morte de cruz, que era destinada aos piores marginais da época. Ele morreu por mim e por você. Aquela cruz era destinada a nós, os seres humanos, os pecadores. Ele escolheu vir à Terra e salvar a cada um de nós, tornando-se o caminho que nos reconecta ao nosso Deus Criador, que nos faz entender o sentido da nossa existência e o nosso propósito, o caminho firmado por um Deus soberano, destinado aos vulneráveis pecadores que se arrependem de coração. "Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim" (João 14:6).

Através desse vírus, Deus, mais uma vez, expõe a nossa vulnerabilidade e a Sua soberania, chamando-nos ao arrependimento. Que o nosso maior desejo para esses dias não se resuma tão-somente à vacina ou às políticas de saúde, mas também pela presença de Jesus, o único que pode, de fato, nos curar desse mal que atinge a todos e que chamamos de pecado.

LEONARDO TOBIAS DE FREITAS é pastor presbiteriano, bacharel em Teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul (2015) e bacharel em Direito pela Universidade Norte do Paraná (2009); é também pós-graduado em Plantação e Revitalização de Igrejas pelo Centro de Treinamento de Plantadores de Igreja (CTPI/FATEV) e mestrando em Teologia pelo Centro de Pós-Graduação Andrew Jumper (CPAJ). É casado com Clarice. Atualmente integra a equipe pastoral da Primeira Igreja Presbiteriana de Ponta Grossa, atuando junto aos jovens, adolescentes e crianças.

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