24/04/2021 às 17h16min - Atualizada em 24/04/2021 às 17h16min

FOTOS: A silenciosa poesia do Mosteiro da Ressurreição em 26 imagens inéditas

Sensível à atmosfera do mosteiro, o fotógrafo André Waiga registrou cenas que transmitem uma sensação de paz só de olhá-las

Por Rafael Guedes
Foto: André Waiga
A região sul do Brasil quase não conhecia a vida monástica até o início dos anos 80. No primeiro ano daquela década, monges do Mosteiro de São Bento, em São Paulo (SP), decidiram levar os ideais de oração e trabalho para aquela região habitada por um povo – mistura de indígenas, negros e descendentes de imigrantes europeus – muito religioso, mas exclusivamente prático, ignorante a respeito dos deleites da vida contemplativa. Um dos principais apoiadores da iniciativa foi o passionista Dom Geraldo Pellanda, Bispo da Diocese de Ponta Grossa de 1965 até 1991, ano de sua morte. Por conta disso, os beneditinos escolheram a Princesa dos Campos para servir de lar ao Mosteiro da Ressurreição. 

De 1981 a 1983, a comunidade religiosa se instalou em uma rústica edificação no santuário de Vila Velha, ao lado do principal ponto turístico do município. Após enfrentar inúmeros desafios, a comunidade adquiriu o terreno onde atualmente se encontra o monastério, na rua Frei Tiago Luchese, região do bairro Chapada, mudando-se definitivamente para lá em 1985. Ao longo desses mais de 30 anos, gerações e gerações de religiosos passaram pelo local, entregando-se a uma vida de silêncio, oração, estudo, fraternidade e, como bons beneditinos, de muito trabalho. Obedecendo ao lema “Ora et labora” (orar e trabalhar, em latim), os monges do local se dedicam à produção de velas, incensos, pães, peças de vestuário, artigos religiosos e muito mais (visite a loja virtual aqui).

A abadia também recebe visitantes leigos. Apesar de estar fechada por tempo indeterminado em virtude da pandemia de COVID-19, a hospedaria do local é o refúgio de pessoas que estão em busca de paz, consolo, orientação, vida interior e comunhão com Deus. Alguns anos atrás, o fotógrafo, designer e artista plástico ponta-grossense André Waiga passou uma tarde no local, registrando o interior do mosteiro em todos os seus detalhes, incluindo algumas das áreas restritas aos religiosos. Sensível à poesia do silêncio reinante no mosteiro, Waiga registrou cenas que transmitem uma sensação de serenidade só de olhá-las. 

O fotógrafo observa que, para além do aspecto espiritual, o mosteiro chamou a sua atenção por “emanar cultura superior”. “A biblioteca, com milhares de volumes dos mais variados temas, desmistifica a noção de que os monges são monotemáticos, que não se abrem a ideias alheias à sua fé. Observei livros de literatura, arte, história, filosofia, psicologia e das mais diversas ciências”, aponta. Para Waiga, é impossível não sentir-se atraído pela beleza das edificações e das obras de arte, mas, principalmente, pela atmosfera do local. “A atmosfera de silêncio e vazio se impõe, levando-nos inevitavelmente à reflexão. Conhecer o mosteiro, mesmo que brevemente, e afastar-se da trivialidade do dia a dia, foi uma experiência edificante.” 

Pela primeira vez, Waiga abriu os seus arquivos e compartilhou com o portal ‘NCG’ 26 imagens inéditas daquela incursão pelo silêncio. Enquanto a hospedaria do mosteiro permanece fechada em razão da pandemia, aprecie – ou, melhor, contemple – a seguir alguns registros daquele ambiente marcado por serenidade, acolhimento e paz. Antes, um recado: o Mosteiro da Ressurreição continua instalado na rua Frei Tiago Luchese, região do bairro Chapada. Os monges adquiriram um grande terreno no Distrito de Itaiacoca e já iniciaram a construção de uma nova abadia no local, mas, segundo a assessoria da comunidade, “ainda vai demorar” para se mudarem. 





















































 
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