09/06/2021 às 09h50min - Atualizada em 09/06/2021 às 09h50min

Carreata homenageia diretora de PG morta pela COVID e protesta contra aulas presenciais

Educadora morreu na tarde desta terça-feira (8), na Santa Casa de Misericórdia

Da redação
Foto: Hélcio José Lourenço
Um grupo de professores e colegas realiza uma homenagem à pedagoga e vice-diretora do Colégio Estadual Professora Elzira Correia de Sá, Liziane de Souza Ribeiro, na manhã desta quarta-feira (9). Os participantes se reuniram em frente à funerária Princesa e estão seguindo em carreata até o crematório onde o corpo da educadora será cremado. 

O grupo aproveitou a ocasião para realizar um protesto contra o retorno das aulas presenciais nas redes municipal e estadual de ensino de Ponta Grossa, empunhando faixas em que se lê a mensagem “Sim à vida! Não ao retorno das aulas presenciais!” 


Morte

“Lyza”, como era mais conhecida, morreu no início da tarde desta terça-feira (8), aos 51 anos, por complicações decorrentes da COVID-19. A educadora estava internada na Santa Casa de Misericórdia, onde se tratava da doença.

Casada com Tércio Alves do Nascimento, presidente do APP Sindicato, a professora deixa os filhos José Vinícius Nascimento e Ana Flávia. 

Especial

Colegas e amigos se despediram da profissional nas redes sociais. "A educação perdeu muito com a sua partida. Era uma pessoa muito especial e muito competente", escreveu Elza Beatriz Gelinski, que atuou como vice-diretora em uma escola próxima ao Elzira e que tinha contato frequente com Liziane.


Aulas presenciais 

Após consulta aos trabalhadores da educação da rede municipal de ensino de Ponta Grossa, a direção do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sindserv) comunicou na tarde desta terça-feira (8), por meio de nota oficial, que vai entrar com ação na Justiça do Trabalho para pedir a suspensão das aulas presenciais no município e para que o ensino remoto seja de 100%.

No comunicado, a entidade afirma que "há alguns dias" vem pedindo a suspensão das aulas presenciais. Na última quarta-feira (26), um ofício chegou a ser encaminhado ao Comitê de Gerenciamento das Ações Governamentais (CGAG). "Desde que [o documento] foi protocolado, o processo está parado e nenhuma resposta foi encaminhada ao sindicato. Nem mesmo um ‘não’ foi dado aos trabalhadores da educação", explica a entidade. 

Na nota, o sindicato menciona que "todos os municípios de médio e grande porte do Paraná estão com as aulas presenciais suspensas", citando como exemplo Curitiba, Londrina, Maringá, Cascavel, Foz do Iguaçu e Guarapuava. "No caso de Londrina e Maringá, há um pedido do Ministério Público e da Vara da Infância para que as aulas presenciais retornem imediatamente. A administração dessas cidades respondeu ao MP que são contra o retorno, em virtude da gravidade do momento em relação aos casos de COVID", comenta o sindicato. 

No caso de Maringá, a Procuradoria do Município, segundo o informe do Sindserv, afirmou que "a determinação para o retorno das aulas presenciais, neste que é o pior momento da pandemia, seria precipitado, o que poderá causar danos e perigo de irreversibilidade dos efeitos da decisão". 

Pior momento da pandemia

Segundo o sindicato, "médicos, especialistas, diretores de hospitais e o próprio secretário estadual da Saúde, Beto Preto, dizem que estamos no pior momento da pandemia desde o seu início". A entidade lembra que a fila de espera por leitos de hospitais ultrapassa 1.200 pessoas no estado. "O número de paranaenses internados em função da COVID-19 nunca foi tão grande", aponta. 

"Por todos os motivos citados, entendemos que as aulas presenciais devem ser suspensas imediatamente em Ponta Grossa, seja de forma administrativa, com os nossos gestores colocando a mão na consciência, ou mesmo por medida judicial. Ou teremos que ter, antes da suspensão das aulas presenciais, mais mortes de trabalhadores da educação municipal e estadual? Ou pior: até mortes de alunos? Fica aqui o nosso questionamento", conclui. 

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