14/06/2021 às 12h09min - Atualizada em 14/06/2021 às 12h09min

Cinco perguntas para Fabiano Machado

Um dos líderes do grupo ‘O Poder Emana do Povo’, Machado fala sobre o caso Valtão, as acusações que pesam sobre os vereadores Felipe Passos e Dr. Erick, a relação do grupo com a política partidária, as ações fora do âmbito político e o governo Elizabeth Schmidt

Da redação
Foto: Divulgação
O parágrafo único do artigo primeiro da Constituição Federal deixa claro: “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”. De acordo com a Carta Magna, esse é o fundamento do regime democrático dentro do qual vive atualmente o Brasil. E foi com base nesse princípio que a professora ponta-grossense Elza Beatriz Gelinski fundou este ano o movimento ‘O Poder Emana do Povo’, que vem movimentando a política local. Após conversar com amigos que têm os mesmos pensamentos e ideais, Elza criou o grupo com o único objetivo de “fazer valer os nossos direitos e, ao mesmo tempo, sermos a voz do povo junto aos dois poderes municipais [Executivo e Legislativo]”. 

Declarando-se “totalmente apartidário”, o grupo se notabilizou já em seu primeiro “alvo”, ao fazer pressão contra o ex-vereador Valtão (PRTB), investigado por quebra de decoro parlamentar diante de sua confissão de ter recebido vantagem financeira para favorecer a empresa Cidatec, responsável pela operação do Estar Digital no município, dentro da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigou o contrato entre a empresa e a Autarquia Municipal de Trânsito e Transportes (AMTT). Na entrevista a seguir, o ponta-grossense Fabiano Machado, que atualmente divide a liderança do grupo com Elza, fala sobre o caso Valtão, as acusações que pesam sobre os vereadores Felipe Passos e Dr. Erick, a relação do grupo com a política partidária, as ações fora do âmbito político e, é claro, o governo Elizabeth Schmidt. 


O ex-vereador Valtão foi acusado de se envolver em um escândalo de corrupção e renunciou ao cargo no fim de maio passado. Você acredita que a pressão exercida pelo grupo foi decisiva para o afastamento do ex-vereador? Que ações concretas vocês realizaram nesse caso?

No caso do ex-vereador Valter José de Souza, foi a nossa primeira oportunidade de mostrar ao Poder Legislativo a força do povo, e buscamos em todas as fontes de investigações argumentos que pudessem nos dar a total certeza de que o ex-vereador era culpado, até que ele mesmo nos ajudou, assumindo ter recebido propina para direcionamento do relatório da CPI [Comissão Parlamentar de Inquérito] que investigou o contrato da Estar Digital. 

 
“O caso do ex-vereador Valtão foi a nossa primeira oportunidade de mostrar ao Poder Legislativo a força do povo”

Isso foi motivo suficiente para a cassação do mandato, mas tudo dentro do seu tempo, não de forma atropelada, como forçou o PRTB, segundo comentam alguns vereadores. Porém, por estratégias políticas, o ex-vereador optou por renunciar ao cargo no Legislativo. Mas não tenho dúvidas de que a pressão do grupo em cima desse caso foi decisiva para esse desfecho, até porque os advogados de defesa do acusado tentaram de todas as formas reverter as acusações, com o objetivo de inocentar o seu cliente.

Por que o grupo não fez a mesma pressão em relação às acusações que pesam sobre os vereadores Felipe Passos e Dr. Erick? Vocês pretendem fazer algum tipo de ação direcionada a esses dois parlamentares?

Os casos dos vereadores Felipe Passos e Dr. Erick são diferente do ex-vereador Valtão, que foi réu confesso. O grupo ‘O Poder Emana do Povo’ está tomando todos os cuidados para não se manifestar antecipadamente, pois ambos os casos estão sendo investigados e não podemos correr o risco de sermos injustos. Nós sempre atuamos com justiça, e não como justiceiros. 

 
“O grupo toma todos os cuidados para não se manifestar antecipadamente, para não correr o risco de ser injusto. Nós atuamos com justiça, e não como justiceiros”

Mas já demonstramos o nosso total repúdio pela ação duvidosa de todos os vereadores que votaram contra a CPP [Comissão Parlamentar Processante] que ajudaria nas investigações contra o vereador Felipe Passos, pois há fortes indícios de irregularidades nesse caso, em que o parlamentar chegou a ter bens bloqueados pela Justiça e ele próprio afirma ter conhecimentos de muita sujeira. Além disso, o Felipe Passos também afirmou que, se forem comprovadas as acusações feitas contra a ele, ele próprio renunciará ao cargo. Mas acreditamos que logo teremos novidades nesses casos.

Diversos grupos de moralização da política surgiram no Brasil e depois lançaram os seus próprios candidatos. É possível que alguém do grupo saia candidato a cargo público em breve? Ou que o grupo venha a apoiar algum candidato?

É importante destacar que o grupo ‘O Poder Emana do Povo’ é totalmente apartidário e não possui nenhum vínculo político ou partidário com qualquer parlamentar, seja municipal, estadual ou federal. Porém, reconhecemos quando um político se destaca de forma positiva em favor do povo, e isso não significa que estamos apoiando a sua carreira política, mas, sim, motivando para que ele continue contribuindo com a nossa cidade com honestidade e cumprindo com os seus projetos e planos de governo prometidos em campanha. 

 
“Reconhecemos quando um político se destaca de forma positiva, e isso não significa que estamos apoiando a sua carreira política”

Já a questão que envolve a possibilidade de algum integrante do grupo disputar uma possível eleição, isso ainda não foi discutido, mas não podemos impedir caso algum membro tenha interesse, desde que se afaste das ações do grupo durante todo o processo eleitoral.

O grupo pretende exercer pressão em outras áreas além da política em si? Quais outros setores do município de Ponta Grossa têm atraído a preocupação do grupo?

Tendo em vista a popularidade e o crescimento do grupo na cidade, já estamos atuando em outros segmentos, como o atendimento aos bairros e ruas da cidade, buscando demandas da população e apresentando as reivindicações ao poder público, para que sejam tomadas as devidas providências. Também estamos firmando algumas parcerias com ONGs [organizações não-governamentais] da cidade para logo iniciarmos alguns projetos relacionados a ações sociais, principalmente no momento que estamos vivendo, quando os índices de pobreza têm crescido bastante em virtude dos reflexos da pandemia. E também iniciamos recentemente uma campanha para arrecadar agasalhos e cobertores para ajudar nesse período de frio. 

 
“Estamos firmando parcerias para projetos de ações sociais, principalmente por conta do momento atual, quando a pobreza tem crescido bastante em virtude da pandemia”

É importante destacar que temos ainda no grupo pais e mães de crianças especiais e, como temos alguns especialistas no assunto de inclusão social, criamos um grupo de WhatsApp que vem sendo bem atuante no sentido de trazer orientações a essas pessoas, que sofrem com algum tipo de deficiência na família. E a Lei de Inclusão garante que as pessoas com deficiência tenham direitos próprios, justamente para que sejam iguais perante a sociedade e estejam no mesmo nível de convívio, locomoção, atendimento em órgãos públicos, garantia de ensino na mesma qualidade e capacitação, e inclusão profissional.

Vocês também pretendem fazer uma fiscalização do Poder Executivo? E, em se tratando de moralidade política, como você avalia o governo da prefeita Elizabeth Schmidt?

Sim, com certeza. Em relação ao Poder Executivo, já temos algumas pautas que estão sendo discutidas, por enquanto somente em um grupo reservado, com membros da diretoria do grupo, para depois serem levadas ao conhecimento popular. Por exemplo: verbas federais que vieram para o enfrentamento da pandemia e que foram utilizadas para pagamento da folha de funcionários; o número excessivo de cargos comissionados, que muitos foram negociados em campanha política e as pessoas que os ocupam não possuem conhecimentos naquilo que precisam desempenhar; e também um dos assuntos mais discutidos no momento, que são as contas de 2014 a 2015, do ex-prefeito Marcelo Rangel, que têm indicações de irregularidades no Tribunal de Contas. Já tentamos contato com os líderes do governo com o objetivo de marcar uma reunião, para que possam dar explicações sobre esses assuntos, inclusive aqueles prometidos em campanha, como o gás na ‘Feira Verde’, que era para janeiro e ainda não foi cumprido, a promessa de 100% de asfalto, o famoso CEP cidadão, que atenderia a população dos novos bairros de Ponta Grossa, entre outros. Mas todas as tentativas de contato foram negadas ao grupo pelo Poder Executivo municipal.

 
“O governo municipal é um ‘desgoverno’ que atua totalmente contra os interesses da população, que sofre os reflexos de uma má gestão iniciada no governo anterior”

Em relação a avaliar o atual governo, poderíamos resumir em uma só palavra: desgoverno. Pois não há como avaliar de outra forma um governo municipal omisso, que vem atuando totalmente contra os interesses da população, que hoje sofre os reflexos de uma má gestão que começou já no governo anterior, utilizando de forma irresponsável verbas vindas para a saúde. E hoje a população está pagando essa conta, que se refletiu diretamente no colapso que estamos enfrentando na saúde, quando infelizmente chegamos ao triste número de mil mortes por COVID-19, e isso pelo simples fato de a nossa cidade não ter estrutura para atender a população. Para esse governo, nós, do grupo ‘O Poder Emana do Povo’, damos nota zero, pela forma omissa e irresponsável com que vem conduzindo a nossa cidade, levando-a à ruína, e caminhando a passos largos para se tornar o pior governo da história de Ponta Grossa. 
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