19/06/2021 às 14h10min - Atualizada em 19/06/2021 às 14h10min

"A vida não espera", diz professora de PG que perdeu pai, mãe e avó para a COVID

Educadora recebeu a primeira dose da vacina anti-COVID neste sábado (19) e aproveitou a ocasião para lamentar os familiares mortos pela doença e reforçar a importância da vacinação

Da redação
Fotos: Reprodução / Redes sociais
A professora da rede municipal de ensino Tallyta Cerqueira (foto) recebeu, na manhã deste sábado (19), a primeira dose da vacina contra a COVID-19. A educadora aproveitou a ocasião para lamentar a morte dos familiares que perdeu para o Coronavírus e para conscientizar mais pessoas sobre a importância de receber o imunizante. 

"Não consigo definir com um único sentimento o fato de ter sido vacinada hoje. É um misto de gratidão, euforia, tristeza e impotência, por não ter visto os meus familiares terem a mesma oportunidade. Como eu queria ter todos ao meu lado, vacinados, aguardando a segunda dose, saudáveis e presentes fisicamente. Infelizmente, a vida não espera, não deixa para depois, não dá uma segunda chance", escreveu nas redes sociais. 

Em apenas um mês, Tallyta perdeu três familiares próximos para a doença. No dia 11 de março, a educadora perdeu a avó, Terezinha Camera. Apenas dois dias depois (13/03), perdeu o pai, Wilson Alves de Souza. E, 16 dias depois (28/03), perdeu também a mãe, Inês de Fátima Camera. Com todas as perdas, a família de Tallyta se reduziu ao irmão, Marllon Matheus Camera de Souza; ao filho, Bernardo, de nove anos; e ao marido, Eduardo Cerqueira. 

Revolta e… gratidão 

Atualmente afastada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para se tratar de um transtorno depressivo, Tallyta está lotada na Escola Municipal Maria Antônia de Andrade, na região do bairro Santa Luzia, o mesmo de sua falecida mãe.

De acordo com a professora, a adaptação a uma vida sem a presença de metade da família é muito difícil, como seria de se esperar. "A superação é diária, assim como a falta de todos. Todo dia torna-se um desafio, qualquer tomada decisão, qualquer escolha, sem poder recorrer às pessoas que sempre estavam ao meu lado, tornam-se muito mais difíceis", observa. 

Tallyta aponta ainda que, quando se lembra que faltou pouco tempo para os familiares terem se imunizado, sente uma grande revolta. "Mas, ao mesmo tempo, grande é a gratidão pela minha vez ter chegado, por meu irmão estar imunizado e pelo dia da vacinação do meu esposo chegar. Vacina salva vidas", conclui. 

Notícias Relacionadas »