24/06/2021 às 09h48min - Atualizada em 24/06/2021 às 09h48min

Centro que oferece "tratamento precoce" contra a COVID começa a funcionar em PG

Atendimento é direcionado a todas as classes sociais, mas é requerido que o paciente não tenha plano de saúde

Da redação
Foto: Reprodução
A partir desta quinta-feira (24), começa a funcionar em Ponta Grossa o Centro de Atendimento à COVID (CAC), criado para prestar atendimento voluntário a pacientes com sintomas iniciais do novo Coronavírus. Com a iniciativa, o médico terá a liberdade de receitar o popular “kit covid” aos que optarem pelo chamado “tratamento precoce”.

Para ser atendido, o paciente deve estar nos cinco primeiros dias de manifestação da doença e ligar para o número 0800-580-0586. Voluntários vão agendar uma consulta médica, que será realizada inicialmente de forma on-line, através da telemedicina. O agendamento pode ser feito de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h. 

"Estávamos recebendo muitas notícias de pessoas conhecidas, que iam para os hospitais com COVID e não estavam sendo tratadas pela doença. Só recebiam oxigênio, e, se a saturação baixasse, eram intubadas. Defendemos a autonomia médica. Não queremos forçar o médico ao tratamento imediato, mas ele deve receitar o que acha melhor", explica o empresário Beto Okazaki, um dos voluntários do CAC.

Funcionamento

De acordo com Okazaki, os profissionais vão avaliar cada caso individualmente para definir a necessidade de prescrever medicamentos como hidroxicloroquina, ivermectina, azitromicina, bromexina, nitazoxanida, zinco, vitamina D e anti-coagulantes. O diagnóstico da doença, segundo ele, será clínico. Se o médico achar necessário, poderá pedir o exame, cujo custeio será de responsabilidade do paciente.

O atendimento é direcionado a todas as classes sociais, mas é requerido que o paciente não tenha plano de saúde. Após a consulta e o diagnóstico, o monitoramento será realizado por WhatsApp ou por telefone. A princípio, o projeto contará com a participação de seis médicos, mas há a perspectiva de que o número aumente conforme o crescimento da adesão nos atendimentos. 

Centro

O objetivo do CAC, segundo o médico Francisco Barros Neto, presidente da Associação Médica de Ponta Grossa (AMPG), é amenizar o impacto da pandemia na população e desafogar os serviços de saúde do município, além de reduzir os índices de internamento dos pacientes.

"Essa é uma iniciativa de quem acredita no tratamento precoce ou imediato, como preferimos falar. Nós entendemos que o vírus está aí e tem causado mortes. Algo precisa ser feito. Todos sabemos que a medicação não tem ação direta sobre o vírus, mas consegue fazer com que o organismo responda de maneira melhor à infecção", aponta.

A AMPG é a responsável pela coordenação do projeto, em conjunto com a Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (ACIPG) e voluntários da sociedade civil organizada.

Sobre as opiniões contrárias ao tratamento imediato, Barros Neto diz entender o posicionamento de cada um, mas argumenta que são pessoas ou profissionais que tiveram "acesso a alguns trabalhos que dizem que esse tratamento não funciona, e eu digo a elas que tive acesso aos trabalhos que dizem que funciona. A história vai poder julgar melhor isso aqui", defende.

Projeto "kit covid"

Apesar de não ter sido incluído no polêmico Projeto de Lei (PL) 35/21, que previa a disponibilização gratuita do chamado "kit covid", o CAC foi idealizado para dar suporte ao que diz o texto do PL, sancionado em maio pela Câmara Municipal, que requer um sistema organizado para a efetivação do mesmo.

A atual legislação (nº 13.942) defende que o uso dos medicamentos indicados para o tratamento precoce ou imediato do novo Coronavírus está condicionado à avaliação médica, a partir do momento da identificação de sintomas ou sinais leves da doença, através de exames físicos ou complementares. 

A Lei Municipal também prevê a distribuição do kit de medicamentos, de acordo com a receita médica, utilizando protocolo regulamentado pelo Ministério da Saúde. “A ACIPG já havia conseguido doações desses medicamentos, mas houve restrição por parte do Ministério Público, que disse que estaria sendo incentivado o uso dos remédios. Então, nós conseguimos parceria com farmácias, que vão subsidiar descontos", explica Okazaki.

Os dispositivos da legislação serão seguidos conforme já previstos ou de acordo com eventuais adaptações que possam surgir. E todas as informações acerca dos atendimentos realizados por meio do CAC serão registradas, para que os resultados do projeto sejam avaliados posteriormente. "Vamos gerar dados de quantas pessoas foram medicadas, quantas precisaram ir para o hospital ou não, entre outras informações. Esses dados serão passados para a Secretaria de Saúde e haverá acompanhamento para que possamos medir os resultados", conclui.

Notícias Relacionadas »