02/07/2021 às 11h32min - Atualizada em 02/07/2021 às 11h32min

Mulher que relatou situação de abandono em UPA de PG morre de COVID-19

Comerciante de 47 anos deixa quatro filhas jovens

Da redação
Foto: Arquivo pessoal
A comerciante ponta-grossense Joceli de Almeida (foto) morreu nesta quinta-feira (1), aos 47 anos, por complicações decorrentes da COVID-19. Após uma traumática passagem pela Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Santa Paula, Joceli foi transferida para o Hospital e Maternidade Parolin, em Campo Largo (PR), onde veio a morrer.

De acordo com a cunhada Claudete Oberg de Oliveira, Joceli havia agendado a primeira dose da vacina contra a COVID-19 para o dia 26 de maio, como parte do grupo prioritário de hipertensos. No entanto, segundo Claudete, o imunizante foi recusado à comerciante, por ela supostamente não sofrer da hipertensão constante na lista de comorbidades.

Cerca de 15 dias depois, Joceli começou a sentir os primeiros sintomas e foi internada na UPA Santa Paula, onde chegou a ser intubada antes de ser transferida, já em estado grave, para o Parolin. 

Filha de Maurilio de Almeida e Orides da Silva Almeida, Joceli deixa o convivente e quatro filhas: Cleidianny, de 13 anos; Cleicielly, de 21 anos; Claudienne, de 25 anos; e Claudielly, de 29 anos. O corpo da comerciante será sepultado no cemitério Chapada, em Ponta Grossa, às 16h, nesta quinta-feira.  

Abandono 

Na tarde do dia 12 de junho último, um sábado, a cunhada de Joceli, Claudete, já havia procurado a redação do portal ‘NCG’ para denunciar uma situação de abandono na ala COVID-19 da UPA Santa Paula, onde a cunhada estava internada à espera de leito em algum hospital de Ponta Grossa ou região. 

Segundo relatado por Joceli a Claudete por celular, a unidade do Santa Paula estava sem receber a visita de um médico desde o dia 10, uma quinta-feira. Além disso, Claudete informou que os pacientes da ala estavam sentados em cadeiras, passando frio, impossibilitados de receberam ajuda e visita de familiares. 

Como se não bastasse, a cunhada da vítima afirma que no mesmo dia recebeu uma ligação da UPA, por volta das 15h30, comunicando-lhe que Joceli encontrava-se em "estado crítico" e que teria de ser transferida para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) com urgência. 

"Ligaram para a minha casa e disseram que a situação dela é crítica e que ela precisa de uma vaga de UTI urgente, senão nós vamos perdê-la. Ela tem filhos e netos. Tem uma vida inteira pela frente. Não pode sair de lá intubada", afirmou a parente de Joceli, na ocasião. 
 
"A saturação dela diminuiu. Ela está com dor. Já faz três dias que ela está naquela situação na UPA. A situação está muito difícil para ela, e tem muito mais gente na mesma situação. Ela está sem força até para segurar o celular. Não consegue falar, está sem ar", apontou. 

Sem citar nomes, Claudete relatou que procurou um vereador e o presidente da Fundação Municipal de Saúde (FMS), Rodrigo Manjabosco, para cobrar providências sobre a situação e pedir a transferência de Joceli para um leito de UTI. De acordo com ela, Manjabosco teria se limitado a dizer que a situação estava difícil e que ia "piorar". 

"E ainda jogam a culpa no povo que se aglomera. Agora, a falta de atendimento que está lá, esse absurdo, não é culpa do povo nem de aglomeração. É culpa da falta de estrutura. É inconcebível ela [Joceli] ter de passar mais uma noite na UPA do jeito que ela está", criticou a cunhada. 

Assista ao vídeo gravado por Joceli durante a sua passagem pela UPA Santa Paula, em que mostra a situação de abandono no local (se preferir, vire o celular na horizontal para uma melhor visualização): 




Grande demanda 

A respeito do caso, a Prefeitura de Ponta Grossa, através da Fundação Municipal de Saúde (FMS), informou ao portal ‘NCG’ que "tem trabalhado em diversas frentes na tentativa de suprir a demanda de pacientes que buscam os estabelecimentos de saúde do município". Esses esforços, segundo a pasta, incluem o recebimento, acolhimento e imediata inclusão dos pacientes, quando necessário, na fila da Central de Leitos do Paraná. 

De acordo com a FMS, naqueles dias, 25 pacientes haviam sido encaminhados para leitos hospitalares e de UTI. "No entanto, a grande demanda não só da cidade, mas da região e de todo o estado, tem dificultado os procedimentos e estendido a espera de alguns pacientes", afirmava a nota enviada à redação. 

Diante daquele cenário, a Prefeitura destacou que "não tem medido esforços para dar a esses cidadãos o melhor atendimento possível" e que "segue no trabalho constante para que todos tenham à disposição leitos clínicos e de UTI o mais rápido possível".

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