11/07/2021 às 19h06min - Atualizada em 11/07/2021 às 19h06min

"Sou movida a desafios", diz Giorgia Bochenek, nova diretora de Relações Institucionais da ACIPG

Além do trabalho como diretora da ACIPG, advogada e empresária fala sobre empreendedorismo, advocacia, papel da mulher na economia e política

Da redação
Foto: Rodrigo Covolan
Protagonista de uma vasta trajetória de sucesso, a advogada e empresária Giorgia Bin Bochenek foi empossada, na última semana, como diretora de Relações Institucionais da Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (ACIPG), onde já havia ocupado o cargo de diretora da ACIPG Mulher (2018-2020). Proprietária do escritório Bin Advogados Associados e com mais de 20 anos de serviços prestados ao Direito, Giorgia atualmente se divide entre a advocacia e o empreendedorismo, como sócia-proprietária da loja D’Lunna. No meio de tudo, ela, que é esposa do juiz federal Antônio César Bochenek, ainda arranja tempo para cuidar da casa e dos filhos Pedro Augusto e Antônio Benício. Mas quem é essa mulher que inspira um número cada vez maior de mulheres em Ponta Grossa? Descubra na entrevista a seguir. 

Você já foi presidente da ACIPG Mulher. Como chegou à nomeação para diretora de Relações Institucionais da entidade e quais trabalhos você deve desenvolver no novo cargo?

A convite do presidente Douglas Taques Fonseca, assumi como diretora da ACIPG Mulher na gestão de 2018 a 2020. Reestruturamos e reunimos mais de 40 mulheres empresárias em reuniões quinzenais para trocar experiências, fazer visitas técnicas em indústrias como Boticário, Frísia e DAF Caminhões, e, sobretudo, para desenvolver o empreendedorismo e o associativismo. Agora, aceitei assumir um novo compromisso, na diretoria de Relações Institucionais, com o desafio de desenvolver e intermediar o relacionamento com outras organizações, órgãos públicos, entidades e a comunidade.

A ACIPG presta um relevante serviço para Ponta Grossa. Com a sua ajuda, o que você acha que a entidade poderia oferecer de novo? Que ideias você gostaria de trazer para a associação?

A ACIPG tem um papel relevante para os associados e também para toda a sociedade. Está sempre em busca do fortalecimento do associativismo, do comércio local, além de auxiliar os empreendedores na qualificação e capacitação de todas as áreas necessárias para o desenvolvimento das atividades empresariais. Também atua e auxilia no incentivo e na promoção de rodadas de negócios. Todas as atividades são desenvolvidas com muita responsabilidade social e sustentabilidade. Juntos, podemos construir uma cidade fortalecida e com bons resultados voltados a toda a comunidade, com empresas e indústrias fortes, que gerem renda e emprego para todos.

Além de profissional do Direito, você se tornou também empreendedora, como sócia-proprietária de uma loja no ramo de calçados. Como ocorreu a decisão de atuar em outra área? E como tem sido a experiência?

Toda mulher conhece a história da Cinderela, e temos, como objeto de desejo, bolsas e sapatos. Uma amiga, Célia Lima, convidou-me durante um café para ser a sua sócia nesse ramo. Não pensei duas vezes. Estamos com a D’Lunna desde agosto de 2018. Eu sou movida a desafios, e atuar no comércio é uma experiência ímpar. Empreender, no nosso país, é um desafio nada fácil, pois temos que enfrentar muita burocracia e uma elevada carga tributária. Somos um povo guerreiro e corajoso, e a ACIPG tem um papel fundamental para facilitar e ajudar a vencer as dificuldades. 


Quais são, na sua visão, os maiores desafios enfrentados pelos empreendedores atualmente?

Os desafios no empreendedorismo são constantes. Além da burocracia e de um complexo sistema tributário, enfrentamos a falta de mão de obra qualificada, potencializada pelas crises econômicas advindas de diversos fatores e influências externas, que alteram o cenário a todo tempo, assim como as evoluções tecnológicas, agora potencializadas pela pandemia. A pandemia foi um divisor de águas. Muitas empresas tradicionais fecharam as suas portas, o endividamento dos empresários aumentou, e isso gera mais crise, mais desemprego. É preciso reinventar e refundar os negócios para não ficar parado no tempo, e vencer a competitividade típica dos empreendedores.

Cada vez mais, as mulheres estão se lançando como empreendedoras. Se tivesse que dar um conselho a uma nova empreendedora, qual seria?

Pesquisas apontam que mais de 60% das mulheres são arrimo de família ou contribuem diretamente na manutenção da casa. Isso é maravilhoso. As mulheres entenderam que fazem parte do desenvolvimento econômico do país. Muitas estão à frente de grandes organizações e empresas. Devemos sonhar alto e ir em busca da realização desses sonhos, sempre seguindo em frente, mesmo com as várias dificuldades encontradas. Devemos acreditar em nossa capacidade e lutar por conquistas diariamente.

Você já foi presidente do Rotary Clube Ponta Grossa Alagados, atuando em vários projetos. Como foi essa experiência e qual é a importância desse tipo de trabalho na sua vida?

O Rotary Club Ponta Grossa Alagados foi criado em 2009, e faço parte como sócia-fundadora desde então. As atividades desenvolvidas pelo Alagados são inúmeras, como a Expoflor – estamos na décima edição – e atividades diversas para auxiliar entidades e instituições da comunidade. Todos os valores arrecadados são revertidos para projetos apresentados por entidades e pela comunidade em geral. Assumi a presidência do Rotary Alagados na gestão 2017 e 2018, período em que o clube atingiu o primeiro lugar no Distrito por cumprir todas as metas do Rotary Internacional. Existe uma entrega muito grande de todos os companheiros do Alagados para que as coisas aconteçam, bem como dos grupos que integram a família Alagados, como o Rotaract [grupo de jovens de 18 a 30 anos] e Rotakids [crianças de até 12 anos]. Fazer a diferença na comunidade é um lema que carregamos no coração. Sou muito grata por participar de um grupo tão coeso e forte em seu propósito de ajudar e fortalecer a comunidade.

Falando em sua carreira jurídica, que já conta com mais de 20 anos, conte-se um pouco do início. Por que optou pelo Direito e como surgiu o escritório Bin Advogados Associados?

Antes de fazer o vestibular, eu pensei em fazer os cursos de Direito ou Jornalismo. Acabei optando pelo Direito após conhecer as inúmeras oportunidades de carreira que o curso oferece. No início pensava em ser magistrada, mas me encontrei na advocacia, que é a minha paixão. O escritório surgiu em 1998, quando a minha irmã Camila e eu decidimos abrir o escritório na cidade de Curitiba. Em 2004, me casei com o César e fomos morar em Foz do Iguaçu. Em 2007, mudamos para Coimbra [Portugal], onde fiz o mestrado, e retornamos ao Brasil no final de 2008, para fixar residência em Ponta Grossa. No ano de 2009, além de manter o escritório em Curitiba, expandimos com uma sede em Ponta Grossa. Nos anos subsequentes, as atividades cresceram, com atendimento em novas áreas do Direito e com uma equipe de advogados associados qualificados e capacitados para atender não somente nos Campos Gerais, mas também em Foz do Iguaçu e Brasília. Recentemente, uma nova unidade foi aberta em Maringá para atender os clientes da região noroeste do estado.


Histórias de superação inspiram as pessoas. Nessas duas décadas de profissão, houve algum momento crítico que você tenha enfrentado?

Muitos obstáculos foram vencidos. Todos os dias enfrentamos novos desafios. É algo constante na carreira da advocacia. Um momento pontual foi em 2009, quando o meu primeiro filho nasceu. Abri o escritório em Ponta Grossa no período da quarentena e trabalhava nos intervalos da amamentação. Muitas vezes, o meu filho foi comigo ao escritório. Enquanto eu trabalhava, ele dormia no carrinho. Nesse período, aumentou o número de demandas judiciais no nosso escritório, pois nos especializamos e atendemos um grupo de servidores públicos federais de todo o Brasil. Precisei viajar para vários estados e fazer inúmeras reuniões com os clientes. Foi um grande desafio conciliar a atividade profissional intensa e a maternidade, mas os resultados foram muito recompensadores.

Qual foi o caso mais desafiador da sua carreira como advogada até o momento? E que forma você encontrou de chegar ao melhor resultado para ele?

Posso dizer que foram as demandas propostas para os servidores públicos federais. Abrimos uma frente gigantesca de volume de processos, bem como ampliamos a atuação territorial. Na época, cada tribunal tinha um sistema operacional diferente para processar os casos, bem como se deparar com as diferenças culturais e regionais deste imenso país. Maiores dificuldades ainda foram encontradas em alguns tribunais que tinham apenas processo físico. Precisei contratar mais advogados e colaboradores, capacitá-los e aumentar o espaço físico, para gerir e entregar o melhor resultado para os clientes. Foi um grande desafio. Aproveitamos as oportunidades, inclusive em outros estados, e foi um aprendizado enorme para melhorar ainda mais o atendimento aos nossos clientes.

Em meio a tanta concorrência, com o crescimento acelerado de profissionais na área do Direito, como construir uma carreira sólida na advocacia e se manter no mercado há mais de 20 anos?

Acredito que o bom atendimento e o retorno aos clientes são a chave do sucesso. Quando o cliente compreende as nossas atividades e todos os detalhes que envolve a sua causa, ele passa a te enxergar como um aliado que está fazendo o melhor para a resolução do problema. Nesses 23 anos de advocacia, percebi que o contencioso não é sempre a melhor a solução. A prevenção, por meio de consultoria e planejamento, é uma ótima opção. Os meios alternativos de conflitos crescem a cada dia com a mediação e a arbitragem. Assim, avançamos, e hoje o nosso escritório atua em várias frentes e perspectivas para melhor atender o caso e os clientes, na busca da entrega do melhor resultado para os nossos parceiros.

Hoje em dia, muitas mulheres têm assumido cargos públicos. Inclusive, Ponta Grossa teve a sua primeira prefeita. Além de empresária e advogada, você é uma liderança reconhecida na cidade. Já pensou em seguir carreira política?

Realmente, as mulheres estão cada vez mais ocupando posições em cargos e carreiras políticas. Venho desenvolvendo trabalhos para melhorar o local onde vivo. Penso que, se cada um fizer um pouco em prol do todo, teremos um mundo muito melhor. A política faz parte de mim.

Quem é a Giorgia Bin Bochenek quando não está trabalhando? O que você gosta de fazer para se distrair? 

Eu amo estar com a família, que é a minha prioridade. Passar tempo com as amigas, ler bons livros, jogar vôlei e assistir séries são as minhas atividades favoritas.

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