23/07/2021 às 07h17min - Atualizada em 23/07/2021 às 07h17min

Joice Hasselmann aparece com machucados no corpo e diz que pode ter sofrido atentado

Deputada federal falou com exclusividade ao 'SBT' sobre o episódio; confira

Por 'SBT'
Foto: Reprodução
São cinco fraturas no rosto, sendo duas delas no nariz e as outras no seios da face, uma na coluna (vértebra C7) e dois dentes quebrados. Há um abaulamento na cabeça, mas sem comprometimento da parte interna do crânio. Os joelhos estão roxos, assim como parte da costela esquerda, abaixo do seio, e um ombro machucado. Um rasgo no queixo foi selado com cola cirúrgica.

Cinco dias depois de ter sofrido todos esses ferimentos, a deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP) diz não se lembrar do que aconteceu. Em entrevista exclusiva ao 'SBT', nesta quinta-feira (22), a parlamentar suspeita de ter sofrido um atentado, mas não descarta a hipótese de ter passado mal e caído no chão.

Ela afirmou à reportagem que, na noite do último sábado (17), estava sozinha em seu quarto, no apartamento funcional em um prédio ocupado por parlamentares, em Brasília. O marido dormia em outro quarto, porque, segundo ela, ronca muito. A última coisa que diz se lembrar é do capítulo da série 'Ressurection' (Ressurreição), disponível na plataforma Netflix, que estava maratonando. Depois disso, acordou já no domingo caída entre o banheiro e o quarto em uma poça de sangue, conforme relatou à reportagem. 

Pingos de sangue

"O que eu sei, o que eu vi, foi que domingo, umas 7h da manhã, eu acordo entre meu quarto e o banheiro, no closet, com uma poça de sangue. Estava muito frio, eu estava muito gelada e tinha perdido muito sangue. Depois do susto, a primeira reação que eu tive foi 'Ah, eu desmaiei né? Tive um mal súbito, sei lá, um principio de infarto, nossa vida é tão pesada... Sei lá, desmaiei, bati o nariz, nariz sangra com facilidade, deve ser isso. Me arrastei até o meu banheiro e, quando eu cheguei no banheiro, tinha pingos de sangue no banheiro, o tapete estava empapado de sangue e o que me chamou a atenção foi o espelho, tinha gotas de sangue como se fosse jato. Mas como? Sangue do meu nariz vai estar no espelho? Mas eu estava totalmente atordoada. Imediatamente eu pedi socorro."

E continou: "No domingo, fui fazer os exames no Sírio Libanês. Só que, antes disso, eu já tinha conversado com meu marido, que é médico, ele veio me socorrer." Ao ser perguntada se ele estava em São Paulo, ela respondeu: "Não, meu marido viaja pro Brasil todo, em São Paulo, um pouco no Piauí, um pouco aqui. Ao me socorrer, ele falou: 'Olha, você deve ter tido um trauma, porque seu olho tá começando a ficar roxo'. Falei, 'bom vamos ver a evolução disso', só que as dores foram aumentando muito e ele me medicou inicialmente."

Depois, ela ligou para amigos médicos e dentistas, e pediu para seus funcionários comunicarem o ocorrido à equipe de segurança, que informou a Polícia Legislativa. Ainda no domingo (18), foi hospitalizada para fazer exames.

Tombo ou atentado?

"Os médicos me alertaram e falaram: 'olha, para ser um tombo, você teria quer ter tomado quatro ou cinco tombos ou então caído de uma escada'." Depois disso, ela começou a pensar na possibilidade de ter sofrido um atentado. "À noite, quando eu volto para casa, eu dispenso a Depol (Polícia Legislativa) porque, teoricamente, eu estou em segurança, eu estou em um prédio onde tem segurança lá embaixo, que são seguranças da Câmara. Apesar das ameaças de morte que constantemente eu recebo, eu nem levo mais tanto a sério. Já levei, mas não levo mais, então dispensei, como toda noite eu faço."

E prosseguiu: "Não posso dizer que foi um desafeto político ou mesmo se foi alguém que entrou na minha casa. Mas esse é um local público, a chave de um apartamento funcional não é uma chave que fica só comigo, outras pessoas em departamentos da própria Câmara têm. E pessoas já passaram pela minha casa, já trabalharam aqui, já tiveram cópia da chave. Então, seria muito simples e muito óbvio eu dizer: 'Olha, eu tenho desafetos políticos, me ameaçam de morte, eu vou culpar fulano'. Mas vamos deixar as investigações seguirem."

Confira o vídeo publicado pela parlamentar nas redes sociais (se preferir, vire o celular na horizontal para uma melhor visualização)




Nada foi roubado

A deputada ainda está confusa sobre o que aconteceu. "Não vou afastar a possibilidade de ter caído e ter batido a nuca, o queixo e os dois ossos que estão em volta do meu olho. Não vou acusar meus detratores porque seria incorreto sem ter qualquer tipo de prova." E continua: "Quando a gente enfrenta pessoas que têm poder, e eu tô falando de muito mais poder, a gente está sujeito a muitas coisas, inclusive àquelas explicações que nunca chegam. Mas coloquei algo na minha cabeça quando entrei para a política: eu não vou desistir, ponto. Não tem fratura que me faça desistir".

Embora tenha tomado remédio para dormir naquela noite, ela afirmou que esta é uma rotina diária há 20 anos, pois sofre de insônia desde que se entende por gente e que, portanto, a hipótese de uma reação "está descartada" por ela. Assim como a de assalto. "Uma coisa que chama a atenção em tudo isso é que nada foi roubado.  Eu estava com a minha bolsa, ela fica em uma cadeira no meu quarto, fica minha carteira com algum dinheiro, não muito, mas tinha, além de cartões. Todo mundo sabe que eu gosto muito de joia, então estavam ali os brincos que eu tinha usado naquele dia, o relógio, o anel que eu tinha usado. Então, se alguém entrou aqui, não foi para roubar. Não sumiu uma agulha da minha casa, tudo está exatamente como estava".

Luta

Ela negou haver sinais de pegadas ou arrombamento. E sobre a possibilidade de ter havido luta, ela respondeu: "Se fosse uma luta, eu lembraria, e, se fosse uma luta, teria que ser no mínimo uns três para conseguir me derrubar.  Eu sou lutadora profissional, luto krav magá, muay thai e boxe. Não foi algo que alguém me enfrentou. Se a hipótese de alguém entrar aqui for confirmada, então alguém primeiro me desacordou, bateu na minha cabeça, porque não há qualquer vestígio de luta".

Ao que tudo indica, será difícil que vizinhos tenham testemunhado algo. "O prédio está praticamente vazio né? A gente (parlamentares) está em recesso e eu decidi ficar aqui porque gosto de tocar meu gabinete, assinar o que tem que assinar, planejar as coisas. Eu, imediatamente, pedi para a polícia isso também, mas tem apenas um deputado e o filho de um deputado. Pelo menos oficialmente, porque a gente não sabe se tem alguém escondido. Fica um alerta para os imóveis funcionais, e não é porque tem uma parlamentar ameaçada, mas em relação a todos os parlamentares."

Câmeras 

Em conversa com o 'Globo', Joice afirmou que solicitou à Polícia Legislativa que busque imagens das câmeras do prédio para analisar a movimentação. "Já fiz esse pedido aos policiais. Amanhã eu prestarei depoimento e indicarei testemunhas, como meu marido, funcionários da casa e porteiros do prédio", disse. O vigia do edifício da deputada afirmou ao jornal que os vídeos foram pedidos pela Polícia Legislativa.


"Se houver um culpado, que esse culpado pague, uma vez que agora não é mais ameaça, agora é fato concreto: nós temos uma parlamentar que tem o rosto fraturado, uma coluna fraturada, o joelho deslocado, costela machucada, um ombro machucado. Então, se foi um daqueles que me ameaçou, que pague por isso. Se for outro, que não me ameaçou, que também pague por isso", conclui a deputada. 
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