26/07/2021 às 14h11min - Atualizada em 26/07/2021 às 14h11min

Joice diz ter dois suspeitos de agressão: "Um é parlamentar, outro, não"

Deputada também falou sobre a acusação de que teria batido o carro sob efeito de drogas e álcool

Por 'UOL'
Foto: Reprodução
A deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) afirmou neste domingo (25) ter suspeitas de que duas pessoas, uma delas um parlamentar, teriam envolvimento no suposto atentado que ela sofreu há uma semana, dentro de seu apartamento funcional em Brasília, informa o 'UOL'. Em entrevista coletiva ao lado do marido, o médico Daniel França, Joice disse não poder revelar o nome dos suspeitos, mas deu a entender que seriam ligados ao governo.

"Eu tenho uma suspeita e passei para a Depol [Departamento de Polícia Legislativa] o nome de uma pessoa, um grande desafeto político, que tem acesso a esse bloco [o prédio onde vive em Brasília] de maneira muito fácil. Passei dois nomes, na verdade", afirmou Joice.

Estes nomes, segundo ela, foram entregues à Depol e à Polícia Civil do Distrito Federal. Além destes dois órgãos, a deputada afirmou também encaminhado suas suspeitas ao Ministério Público Federal e à Polícia Civil de São Paulo, que, segundo ela, já investiga ameaças anteriores recebidas por ela.

"Eu sei que um deles [dos suspeitos] tem acesso muito fácil ao prédio. E o outro tem acesso muito fácil onde quer que ele queira", disse a deputada. Joice diz ter recebido ameaças, inclusive públicas, de uma destas pessoas. "O outro é um desafeto que já me mandou alguns recados um pouco pesados e recentemente eu dei uma entrevista em outro estado brasileiro, fazendo críticas muito duras a essa pessoa", afirmou.

GSI

Joice afirmou também que irá pedir explicações ao general Augusto Heleno, ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional). A parlamentar diz ter recebido, de uma fonte interna do GSI, a informação de que o órgão estaria tentando atribuir os ferimentos dela a um acidente de carro. Essa informação, segundo ela, foi repassada por meio de mensagens, que foram entregues à investigação.

Dias após o incidente, uma capa falsa do jornal 'O Estado de S. Paul'o circulou pelas redes bolsonaristas com a versão de que a parlamentar teria batido o carro por estar sob o efeito de álcool e drogas, A parlamentar já havia falado sobre o assunto em entrevista ao 'UOL' na última sexta-feira (se preferir, vire o celular na horizontal para uma melhor visualização):




"Jamais faria isso"

O neurocirurgião Daniel França, marido de Joice, negou neste domingo ter sido o autor das agressões e afirmou que está buscando todos os meios de afastar essa suspeita. "Eu não tenho nenhum motivo para fazer isso. Eu jamais faria isso", disse o médico.

França era o único que estava no apartamento na madrugada do último dia 18, quando a deputada acordou com ferimentos nos rosto e na cabeça e, segundo ela, sem ter memória do que havia acontecido.

O marido de Joice, que diz ter dormido em um quarto separado porque seu ronco atrapalha o sono da deputada, afirma que se limitou a prestar socorro à parlamentar pela manhã, quando recebeu uma ligação dela. "Eu nunca agredi ninguém. Em nenhum momento da minha vida eu nunca, nunca dei um tapa em ninguém, nunca dei um murro em ninguém", afirmou o médico.

Desde que o incidente veio à tona, Joice tem defendido a inocência do marido. Ela também afirmou, nesse domingo, que vai interpelar na Justiça pessoas que acusarem França de tê-la agredido. "Eu vou processar todos os que estão acusando o meu marido. Todos que estão fazendo ilações", prometeu.

"Não é coisa de amador"

Joice e o marido afirmam que a principal esperança deles para esclarecer o incidente está nas imagens das câmeras de segurança do prédio. A parlamentar afirma, no entanto, que pediu à polícia legislativa que sejam analisadas não apenas as filmagens da véspera das supostas agressões, e sim de vários dias anteriores.

Uma das hipóteses dela é que um suposto agressor teria entrado no imóvel com antecedência, já que a Câmara tem cópias das chaves de todos os apartamentos funcionais. Segundo Joice, uma carteira de cigarros foi achada no apartamento há cerca de três meses, mas não se sabe a quem ela pertenceria.

"[A carteira foi encontrada] num momento em que eu fiquei dez dias longe do apartamento. E ninguém fuma, nem nunca fumou. Nenhum dos meus funcionários", disse a deputada. Outro funcionário, segundo ela, disse ter visto no piso do apartamento uma pegada "que não é compatível com os sapatos que os meus agentes usam".

"Se alguém entrou aqui, não foi coisa de amador. É coisa de profissional", declarou a parlamentar.

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