31/07/2021 às 15h01min - Atualizada em 31/07/2021 às 15h06min

Cinco perguntas para Beto Okazaki

Um dos principais organizadores de manifestações a favor do presidente Jair Bolsonaro em Ponta Grossa, o empresário Beto Okazaki fala sobre o ato em prol do voto impresso que ocorrerá neste domingo (1) e outras questões relacionadas ao presidente e à ideologia de direita

Da redação
Foto: Divulgação
Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) vão se reunir neste domingo (1), a partir das 15h, na Praça Barão de Guaraúna, região central de Ponta Grossa, para reinvindicar a adoção do voto impresso nas eleições. Um dos principais organizadores de manifestações a favor de Bolsonaro em Ponta Grossa, o empresário Beto Okazaki fala sobre o ato em prol do voto impresso e outras questões relacionadas ao presidente e à ideologia de direita.

A manifestação deste domingo (1) reivindicará o retorno do voto impresso. Diante de uma reivindicação como essa, ficam muitas dúvidas. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já afirmou que as urnas eletrônicas são seguras e também auditáveis. Na sua opinião, não são nem uma coisa nem outra? Existem indícios consistentes de que não são confiáveis?

Não é retorno, pois as urnas eletrônicas nunca foram auditadas. Queremos exatamente que isso ocorra em consequência da impressão do voto. O voto precisa representar a vontade do cidadão de forma física. Com a urna eletrônica, não é físico, mas, sim, virtual. Queremos a materialidade da nossa vontade de maneira expressa e física, para que possa ser contada publicamente. Em 2015, foi uma unanimidade entre os parlamentares de todos os segmentos ideológicos. Gostaria de entender por que mudaram os seus posicionamentos, a começar pelo nosso parlamentar local do PSB, o deputado federal Aliel Machado. Quanto aos indícios, um dos principais é a prisão de um hacker que invadiu os computadores do TSE.

Você vem se destacando como um dos principais organizadores de manifestações a favor do presidente Jair Bolsonaro ou de pautas defendidas por ele. Alguns cientistas políticos dizem, não sem algum deboche, que é a primeira vez que ocorrem “manifestações a favor” de alguém. Por que os apoiadores de Bolsonaro tem se mobilizado tanto desde que ele assumiu o poder?

Somente o tempo mostrará isso. Bolsonaro é a “bola da vez”, não ficará lá para sempre. Logo virão outros, e, se defenderem as pautas conservadoras, que se identificam com a maioria dos brasileiros, a personalidade que será a “bola da vez” receberá o mesmo apoio, pois defende o alinhamento ideológico da maioria da população, fazendo exatamente o que queremos e defendendo o que defendemos. Daremos sempre apoio.

Bolsonaro se elegeu sob a promessa de, entre outras coisas, derrubar o “sistema”, e agora tem sido acusado de se “vender” para o Centrão. Além disso, ele próprio afirmou recentemente que faz parte do Centrão. Como apoiador do presidente, isso não te incomoda? Você não acredita que, agindo dessa forma, a política continuará igual, com os mesmos vícios de sempre, impedindo Bolsonaro de realizar a mudança política que ele prometeu? 

Bolsonaro nunca disse que não trabalharia com o Centrão. Ele disse que não faria a politica do “toma lá, dá cá”, que foi o que aconteceu na nossa história politica desde o governo Sarney até o governo Temer, quando se loteavam os ministérios sem critérios técnicos. Veja que o ministro Tarcisio [Gomes de Freitas], da Infraestrutura, é o ministro destaque, e foi ministro do governo Dilma. Um grande ministro que trabalhou com o PT [Partido dos Trabalhadores] e é, de fato, um ministro técnico. Ninguém pode contestar o trabalho excelente para o Brasil que ele tem desempenhado. O Centrão também tem pessoas capacitadas e que foram eleitas por brasileiros que acreditaram nelas e lhes deram voto. Bolsonaro governa para todos os brasileiros. Isso é respeito e o reconhecimento de que essas pessoas podem e devem colaborar e ser respaldadas nas suas representatividades.

Além de liderança política em ascensão, você também é empresário. Como você avalia o ambiente de negócios do Brasil durante o governo Bolsonaro? Em comparação com governos anteriores, ficou um pouco mais “fácil” ser empresário no Brasil ou continua sendo difícil? Quais são, para você, os maiores desafios enfrentados pelos empresários atualmente?

Infelizmente, tivemos o advento da pandemia, o que gerou uma crise global. O setor do agronegócio e as redes de supermercados acabaram tendo crescimento econômico, mas o que de fato precisa acontecer são as pautas do governo serem apuradas pelos nossos congressistas, como, por exemplo, as reformas, principalmente a tributária, que vai influenciar diretamente na produção de riquezas, que são geradas com a oferta de trabalho e de empreendedorismo. Hoje é muito ruim empreender, pois temos muitas taxas, muitas burocracias desnecessárias, tributos e burocracias não apenas federais, mas muita coisa que poderia mudar nos estados e municípios também.

Você é assumidamente de direita. Ainda há muita confusão, no imaginário popular, sobre o que é ser de direita. Para algumas pessoas, os direitistas não se importam com os pobres e trabalhadores, as minorias e o meio ambiente, são gananciosos etc. Afinal, o que defende um direitista? E você acredita que o Brasil precisa, neste momento, de um “choque de direita”?

Sou de direita, e digo mais, sou um direitista estrito, que não negocia os seus princípios liberais econômicos e nem o conservadorismo na estrutura social e cultural na sociedade. A direita, em sua maioria, é formada por pobres, pois todos almejam a escalada econômica, a melhora e a geração de riquezas. Os pobres e a classe media, hoje, defendem o direito a propriedade e a herança, coisa que a esquerda repudia e trabalha contra. A esquerda perdeu o proletariado. Com essa perda, ela arquitetou uma nova estratégia, que foi fomentar pequenos grupos que eles chamam de minorias, e essa é uma estratégia mentirosa, pois cada pessoa é uma minoria, pois cada um tem um interesse e ideias que divergem das outras pessoas, então, essa coisa de minorias é uma grande falácia. O que o Brasil precisa é de pessoas com ideias divergentes, mas que trabalhem pelo bem comum. Sempre teremos ideais divergentes, a esquerda precisa ser mais progressista e menos medieval revolucionária, ajudar a unir a nação e não a dividi-la, pois, como dizem os textos bíblicos, “um reino dividido nunca subsistirá”. 

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