07/08/2021 às 16h42min - Atualizada em 07/08/2021 às 16h42min

Estudo observa aumento de anticorpos entre 5 e 7 meses após COVID-19

Levantamento com profissionais de saúde na Espanha constatou que um tipo de anticorpo começou a crescer a partir de 150 dias após início dos sintomas

Por 'Revista Galileu'
Foto: Trnava University/Unsplash
Após acompanhar 578 profissionais da saúde entre março e outubro de 2020, um time de pesquisadores do Instituto de Saúde Global de Barcelona (ISGlobal), na Espanha, observou que os níveis de anticorpos IgG anti-Spike — que atacam a proteína usada pelo Sars-CoV-2 para se ligar às células humanas — se mantiveram estáveis entre a maioria dos participantes que testaram positivo para a Covid-19 ao longo do período, informa a 'Revista Galileu'. E mais: após 150 dias do início dos sintomas, esses níveis subiram em quase 75% dos voluntários. 

Os dados foram publicados em um estudo nesta quinta-feira (5), no periódico científico Nature Communications. A equipe avaliou amostras de sangue coletadas em quatro ocasiões ao longo de sete meses no Hospital Clínic de Barcelona. O objetivo era monitorar como os níveis de anticorpos IgM, IgA e IgG contra diferentes antígenos do novo coronavírus — a exemplo da proteína spike — variam ao longo do tempo. Segundo os pesquisadores, a investigação é a primeira a analisar um painel de anticorpos desse volume em sete meses de acompanhamento. 

De acordo com os resultados, embora os anticorpos da classe IgM – conhecidos como "anticorpos de fase aguda" — tenham desempenhado um papel importante de neutralização logo após o início da infecção pela Covid-19, seus níveis caíram significativamente após alguns meses. Para a surpresa dos cientistas, no entanto, houve um “aumento pronunciado” no volume de anticorpos IgG relacionados à proteína S a partir do 150º dia seguinte à data da infecção em 73,9% dos participantes.

Os autores também constataram que, com exceção dos anticorpos IgM e IgG contra o nucleocapsídeo (N) do novo coronavírus (a “casca” ao redor do material genético do patógeno), todos os níveis de anticorpos, incluindo os neutralizantes — que permitem neutralizar e eliminar o efeito de microrganismos invasores —, permaneceram estáveis ao longo do tempo. Eles destacam, no entanto, que a coorte do estudo teve poucos participantes com quadros graves de Covid-19, de forma que apenas um deles necessitou de hospitalização.

“Surpreendentemente, vimos até um aumento de anticorpos IgG anti-Spike em cerca de 75% dos participantes do mês cinco em diante, sem qualquer evidência de reexposição ao vírus”, avalia, em comunicado, Gemma Moncunill, pesquisadora do ISGlobal e coautora sênior da pesquisa. No estudo, os pesquisadores afirmam que a descoberta é de “especial relevância”, já que a proteína spike é o principal alvo das vacinas contra a Covid-19 desenvolvidas até o momento. 

"Imunidade cruzada"

A investigação também avaliou se os participantes que já haviam sido previamente expostos a outros coronavírus humanos (HCoV) teriam algum tipo de proteção contra o Sars-CoV-2. Os autores constataram que, em comparação com os profissionais da saúde que não testaram positivo para a Covid-19, os participantes com a doença tinham níveis mais baixos de anticorpos anti-HCoV, sobretudo os sintomáticos (69%).

Os indivíduos assintomáticos, por sua vez, tinham níveis mais elevados de anti-HCoV IgG e IgA. Isso, segundo os pesquisadores, sugere que possa existir algum nível de proteção cruzada entre os agentes infecciosos. “Embora a proteção cruzada pela imunidade pré-existente aos coronavírus do resfriado comum ainda não tenha sido confirmada, isso pode ajudar a explicar as grandes diferenças na suscetibilidade à doença na população”, analisa Carlota Dobaño, líder do estudo.

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