31/08/2021 às 10h16min - Atualizada em 31/08/2021 às 10h16min

Retorno do ensino em tempo integral preocupa professores e servidores de PG

Prefeitura garante que protocolos de biossegurança continuarão sendo aplicados

Da redação
Foto (meramente ilustrativa): Divulgação
A diretoria do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Ponta Grossa (SindServ) convocou uma assembleia geral, para esta terça-feira (31), com a presença de representantes de servidores da educação, para discutir o retorno das aulas em tempo integral nas escolas municipais. A reunião será na sede do sindicato, às 17h45.

O objetivo é realizar um levantamento geral da situação de cada unidade escolar no que diz respeito ao protocolo de biossegurança de prevenção à COVID-19. “Reclamações sobre o retorno estão chegando, mas irão se acentuar nesta semana, que é quando o retorno será efetivado”, afirma o presidente do sindicato, Roberto Ferensovicz.

Durante a assembleia, será formada uma Comissão de Servidores, que se reunirá com a gestão da Secretaria Municipal de Educação (SME) e colocará o posicionamento da entidade em relação ao assunto e apresentará o resultado do levantamento obtido em assembleia.

“Somos contrários ao retorno em tempo integral, e um dos principais motivos, neste momento, é a falta de espaço para os alunos e a falta de servidores em diversas unidades escolares, bem como o risco de aumento no contágio entre os trabalhadores e, principalmente, entre os alunos, já que estes não estão imunizados”, aponta.

Um grupo de pedagogos, que prefere não se identificar, procurou a redação do portal NCG para relatar a insatisfação e a preocupação dos profissionais com o retorno das aulas nessas condições. 

“As salas deverão voltar com 30 crianças por turma. Com isso, todo o protocolo [de biossegurança] vai por água abaixo, porque não vamos conseguir usar álcool em gel em todas as crianças. Elas não vão poder usar individualmente os banheiros. Não tem como intercalar torneira, cuidar do corredor… Elas se aproximam, fazem brincadeiras. Na hora do almoço, voltará a ser como antes”, relata uma professora.

A educadora explica que as demais pedagogas da escola receberam orientação, durante a semana, para comunicar aos pais que deveriam mandar ps filhos para a aula, sem maiores explicações. 

“Temos contato com várias escolas. Algumas retornaram com todos os alunos, e é humanamente impossível estar o tempo todo cuidando da questão das máscaras e do distanciamento. Além de ter diminuído para 1 metro, eles estão contando de cabeça a cabeça esse espaço”, acrescenta. 

Recuo no distanciamento

A decisão pelo retorno do ensino em tempo integral nas escolas surgiu após orientação da Secretaria Estadual da Saúde (Sesa) de diminuir o distanciamento entre as carteiras das turmas de 1,5 metro para 1 metro, possibilitando o aumento dos alunos em sala de aula. Dessa forma, as escolas tiveram a opção de deixar de oferecer o atendimento intercalado, no qual as turmas se dividiam entre as aulas presenciais e o ensino remoto.

“Esse distanciamento, que era de 1,5 m, não permitia a frequência simultânea de todos os alunos de cada turma, levando as unidades à alternativa de realizar a frequência intercalada [presencial em uma semana, remota em outra]. Após revisão em sua normativa de biossegurança, a Sesa passou a orientar o distanciamento de 1 metro entre os alunos, o que permitirá um maior número de estudantes em sala ao mesmo tempo”, explica a assessoria da SME.

Remoto seguirá como opção

De acordo com a SME, as aulas não voltarão 100% de maneira presencial, já que o ensino remoto continua sendo ofertado, conforme a opção realizada pelas famílias. Além disso, o município está solicitando aos pais que confirmem a opção pelo presencial ou remoto, para que as unidades escolares possam redimensionar o seu atendimento de forma segura.

“O atendimento ocorre conforme a realidade de cada unidade, que dimensiona o seu atendimento de acordo com as possibilidades da escola ou CMEI e com a demanda dos pais. O ensino remoto continua sendo uma opção respeitada, e as aulas on-line e pela TV Educativa continuam sendo disponibilizadas, bem como as atividades repassadas pelas escolas, conforme os horários habituais. Em escolas de ensino integral, por exemplo, poderá haver a divisão da turma em duas, sendo parte atendida pela manhã e parte no período da tarde. Tudo dependerá da situação específica da unidade”, comenta.

Protocolo de biossegurança

A Prefeitura informa que, segundo o último levantamento realizado pela SME, quando houve o retorno das aulas presenciais, cerca de 78% dos estudantes do Ensino Fundamental já estavam frequentando as aulas na modalidade presencial, e esclarece que os protocolos de biossegurança continuarão sendo aplicados, exceto em relação ao distanciamento.

“O protocolo elenca todas as medidas a serem observadas diariamente pelas equipes e alunos, com acompanhamento do Comitê Volta Às Aulas, que realiza check-lists periódicos sobre os equipamentos, insumos e procedimentos adotados nos locais de ensino. Qualquer não-conformidade com o protocolo pode ser repassado ao comitê escolar e à SME para que haja reforço nas orientações. O protocolo deve estar visível em cada unidade”, conclui.

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