27/09/2021 às 10h46min - Atualizada em 27/09/2021 às 10h46min

Pesquisador de PG desenvolve telescópio capaz de estudar planetas de fora do Sistema Solar

Pesquisador é o único brasileiro a integrar o time de astrônomos que trabalha no desenvolvimento do aparelho

Da redação
Foto: Divulgação
É de Ponta Grossa o único brasileiro a participar do desenvolvimento do projeto para a construção de um telescópio que permitirá estudar os exoplanetas, como são conhecidos os planetas de fora do Sistema Solar. O físico e pesquisador da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) Marcelo Emilio integra o grupo internacional de astrônomos, ao lado de Takeshi Sakanoi, da Universidade de Tohoku (Japão), e Svetlana Berdyugina, do instituto KIS (Alemanha), que está debruçado sobre o projeto. 

"Participo de um grupo de estudo solar no Havaí [Estados Unidos], com um projeto da NASA, desde 2001. Alguns desses mesmos cientistas participam da construção do telescópio PLANETS, e eu então fui convidado a contribuir. A oficialização do projeto veio em 2017, com um financiamento do Fundo Paraná. Desde então, eu sou membro. Os membros decidem a ciência que será feita, definem a precisão requerida em cada componente e gerenciam os recursos para a construção do telescópio, observatório e instrumentos", explica Marcelo.

A construção da tecnologia deveria ter iniciado de imediato, após a oficialização do projeto, mas entraves financeiros e a pandemia postergaram a data de início. Atualmente, o grupo negocia a entrada do Havaí no projeto e busca locais para a construção do telescópio. "Temos uma licença para reformar um antigo coletor de nêutrons da Universidade de Chicago [Estados Unidos], que abrigará o nosso telescópio, e pretendemos renovar. Estamos fechando um contrato com uma companhia local para realizar a primeira fase da reforma nos próximos meses", relata o pesquisador.

Quando o telescópio estiver concluído, poderá ser utilizado pela UEPG, já que a universidade foi uma das instituições que forneceram recursos financeiros para a execução do equipamento. "Temos um percentual do tempo de uso do telescópio e podemos usar em nossas pesquisas. Além disso, esse projeto significa a internacionalização da pesquisa da UEPG. Normalmente, você precisa investir uma quantidade grande de recursos em um laboratório da universidade para ser competitivo cientificamente. Na astronomia, isso não é necessário", observa.

Telescópio

O telescópio PLANETS é um telescópio fora-do-eixo. A sua diferença em relação às
 tecnologias já existentes é que ele será capaz de minimizar a quantidade de luz espalhada ao redor da estrela e permitir que pesquisadores enxerguem planetas mais "próximos".

"Poucos telescópios têm essa tecnologia. O maior deles é o Daniel K. Inouye Solar Telescope, um telescópio solar de 4 metros. O famoso telescópio do Monte Palomar, que Edwin Hubble [astrônomo americano com papel crucial no campo da astronomia] usou, foi modificado com essa tecnologia. Quando terminado o PLANETS, será o maior telescópio dedicado a observar o céu noturno", observa o pesquisador.

No que diz respeito ao tamanho, o PLANETS não será o maior, já que, comparado a outros com espelho primário de 8 metros, esse terá 1,85 metro. No entanto, ele deverá ser grande o suficiente para coletar luz espalhada pelo exoplaneta e terá uma projeção que impedirá o brilho de uma estrela de obscurecer um desses planetas. 

Necessidade

A maior parte dos mundos conhecidos fora do Sistema Solar foi descoberta por técnicas indiretas. Até agora, era possível medir a redução do brilho de uma estrela quando o planeta passava na frente dela, mas o planeta em si não era observado. Mesmo com as melhores tecnologias, a observação ficava limitada. O PLANETS pretende mudar essa realidade.

"A necessidade dessa tecnologia está em obtermos informações diretas do exoplaneta e sabermos se ele abriga vida, se tem continentes etc. Isso só é possível se observarmos o planeta diretamente. É também um teste de tecnologia para podermos fazer um telescópio maior no futuro, que possibilitaria estudarmos em detalhes planetas mais distantes", conclui o pesquisador. 

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