13/10/2021 às 16h50min - Atualizada em 13/10/2021 às 16h50min

Audiência de conciliação entre Sintropas e VCG termina sem acordo

"A Justiça vai mandar pagar, mas não temos como", disse a concessionária sobre o pagamento dos salários em uma única parcela

Da redação
Foto: Reprodução
A audiência de conciliação realizada nesta quarta-feira (13), entre representantes do Sintropas e da Viação Campos Gerais (VCG), foi encerrada sem acordo. A audiência foi realizada após a entidade sindical ajuizar ação no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), em razão do parcelamento dos salários dos trabalhadores do transporte coletivo.

Após 30 minutos do início, a audiência foi finalizada. A mediação foi feita pelo vice-presidente do TRT, o desembargador Célio Horst Waldraff. Para iniciar as discussões, o representante da VCG, Diego Muñoz, informou a situação geral da empresa, que resultou no parcelamento dos salários dos trabalhadores e afirmou que a concessionária está subsidiando parte do valor da tarifa aos usuários do transporte. "Se a tarifa que deveria estar sendo cobrada é de R$ 8,35 e o valor pago não é esse, quem está subsidiando a diferença é a empresa e não os trabalhadores", considerou.

Muñoz afirmou ainda que a empresa entende possuir respaldo judicial para manter os pagamentos parcelados e que, no momento, não disponibiliza de recursos financeiros para efetuar o restante do pagamento, além de não dispor de outra opção a não ser continuar oferecendo os serviços à população. "Todos nós sabemos que a Justiça vai mandar pagar, mas não temos como. Diferente de outros setores, que podem fechar a porta e ir embora, nós não podemos fechar as portas. Nós temos contrato e não podemos deixar de prestar os serviços", completou.

Após o pronunciamento do representante da VCG, o presidente do Sintropas, Luizão, declarou que entende a situação atual da empresa, mas que os trabalhadores não podem arcar com as consequências. "Entendemos que tem problema, mas não é o trabalhador que levanta 2h30 da manhã com frio e com chuva que tem que pagar essa conta. Hoje a pandemia em Ponta Grossa já é quase passado. Todo o sistema de comércio e faculdade já está operando 95%. Se tem problema de tarifa, não é problema do trabalhador", argumentou.

Sobre o respaldo judicial que a empresa do transporte coletivo alega possuir para pagar os salários parcelados, o presidente sindical afirmou que havia um acordo no passado, mas que o mesmo foi "quebrado" pela empresa. "Houve no passado, sim, um entendimento de autorização de parcelamento, desde que não houvesse demissões, mas houve demissões e o acordo feito no passado foi rompido pela própria empresa", defendeu.

Sem proposta de ambas as partes e sem possibilidade de acordo, o desembargador encerrou a audiência. "Eu não vejo possibilidade de conciliação. Eu tendo  a concordar com a parte dos trabalhadores neste contexto, mas é só questão de opinião", disse, ao finalizar.

O sindicato que representa os trabalhadores do transporte coletivo ainda não se posicionou sobre futuras ações da entidade, nem sobre o desfecho da audiência de hoje. 

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