10/03/2021 às 11h08min - Atualizada em 10/03/2021 às 11h08min

Microbiologista Natalia Pasternak dispara: "A gente resolve abrir escolas no pior momento da pandemia?"

Durante debate promovido pelo UOL, a cientista também apontou falhas nas medidas de enfrentamento à pandemia no Brasil

Da redação, com informações do UOL
Divulgação / Governo de São Paulo
A microbiologista e fundadora do Instituto Questão de Ciência (IQC), Natalia Pasternak, em debate promovido pelo UOL e publicado na terça-feira (9), criticou a abertura de escolas no que julga ser o pior cenário da pandemia de COVID-19 no Brasil.

Natalia, que é formada pela Universidade de São Paulo (USP), acredita que momento não é o mais apropriado para a retomada das aulas. “A gente manteve escolas fechadas enquanto todo o resto do comércio estava aberto, então, enquanto a escola estava fechada, tinha aberto restaurante, shopping, academia, igreja — e escolas fechadas e alunos penalizados. A gente resolve falar de abrir escolas no pior momento da pandemia, quando a gente precisa de um 'lockdown' geral? Agora vocês falam de abrir escola?”, questionou.

Na visão de Pasternak, antes de abrir o comércio, mesmo com índices melhores, é obrigação do governo garantir ventilação nas salas e máscaras de proteção de qualidade para os professores. "Se você consegue manter essa taxa de transmissão comunitária controlada, fechando outros estabelecimentos, você pode e deve priorizar escolas, mas também priorizar dentro da capacidade de cada escola de funcionar com segurança”, observou.

Durante o debate, as críticas também se estenderam aos templos religiosos. "Você não pode comparar a essencialidade de uma escola com a de um templo religioso. Tenho certeza de que todos os sacerdotes de bom senso, de todas as religiões, podem orientar os seus fiéis a terem uma atividade religiosa em casa ou por videoconferência. Não existe necessidade física de estar presente em um ambiente fechado, onde as pessoas se encontram para se aglomerar e as atividades de que participam são de falar ou cantar”, comparou.

A especialista ainda apontou erros que a população cometeu em relação às medidas de combate à proliferação do Coronavírus. “Houve irresponsabilidade da sociedade. Tenho conhecimento de inúmeras festas, e aí vai desde a periferia até a alta sociedade, casamentos, encontros, festas oficiais, clandestinas. Chega uma hora que falo: 'É inaceitável'", finalizou.

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