10/03/2021 às 11h34min - Atualizada em 10/03/2021 às 11h34min

Super Mulheres: Tônia Mansani, braço-direito dos pequenos empreendedores

Presidente da Agência de Fomento Econômico de Ponta Grossa (Afepon) e coordenadora de Fomento ao Empreendedorismo e Inovação, Tônia é a mente por trás de projetos premiados que ajudam pequenos empreendedores a voarem cada vez mais alto

Por Rafael Guedes
Foto: Adri Silva
“Paixão” é a palavra que define Tônia Mansani, presidente da Agência de Fomento Econômico de Ponta Grossa (Afepon) e coordenadora de Fomento ao Empreendedorismo e Inovação. É ela própria quem classifica os campos nos quais vem se destacando nos últimos anos, o de políticas públicas e empreendedorismo, como as suas paixões. Formada em Serviço Social pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), mestre em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e especialista em gestão pública, Tônia coordena projetos que promovem o empreendedorismo, desenvolvimento econômico e inovação. Servidora pública municipal desde 2011, ela já ganhou muitos prêmios com esses projetos, mas o que a deixa realmente feliz é ouvir de um pequeno empreendedor que ela fez a diferença na vida dele. Nesta série de entrevistas com mulheres empoderadas de Ponta Grossa, Tônia fala sobre como é ser uma super mulher.

Qual é a sua filosofia de trabalho?

Em todas as áreas em que atuo, a minha filosofia é: descomplicar as coisas. O serviço público não precisa ser burocrático. Ao contrário, estamos falando de acesso, e o acesso precisa ser simples. Isso não quer dizer que não precisa ter burocracia. Ela é necessária, mas precisa ter um equilíbrio. Busco atuar fazendo muitas pontes e conexões. Trabalho essencialmente com pessoas e para pessoas. A inovação é feita por pessoas. Considero que, para ter sucesso no trabalho, é preciso construir junto com as pessoas com quem trabalhamos. Só assim você consegue ter envolvimento. O sucesso não vem sozinho. Ele é uma soma de pessoas e de esforços.

Quais foram, até agora, as suas realizações pessoais ou profissionais que te deixaram mais orgulhosa?

Não conseguiria elencar em escala de um a dez. Tenho vivido um ciclo de colheita virtuoso de um trabalho realizado nos últimos anos em prol dos pequenos empreendedores que deixa qualquer gestor orgulhoso. As realizações pessoais se misturam com as profissionais. Para mim as mais significativas não vêm das premiações em si, que foram muitas, mas efetivamente do trabalho que levaram à conquista desses prêmios. Elas vêm de coisas simples, como, por exemplo, de depoimentos espontâneos de pequenos empreendedores que relatam o quanto o nosso trabalho fez a diferença na vida dele e de sua família. Os prêmios dos programas idealizados por mim, com a ‘Voe’ e a ‘Sala Digital’ são para mim motivo de muito orgulho, sem dúvida. Certamente consolidaram a minha carreira como especialista em politicas públicas de desenvolvimento e inovação.

 
Para ter sucesso, é preciso construir junto com as pessoas com quem trabalhamos

E qual foi o maior desafio que enfrentou na carreira até agora e como o superou?

Os desafios estão presentes no nosso dia a dia. Evito rotula-lós até para não valorizá-los demais. Costumo dizer que não vim ao mundo para competir. Vim para somar e agregar valor.  Acredito que a resiliência seja uma das habilidades que nós, mulheres, mais praticamos diariamente. Mas essas competições existem em qualquer área, em qualquer setor, em qualquer organização. Acredito que o desafio mais difícil seja do entendimento dessa forma de trabalhar, de somar.

Você acredita que as mulheres trazem um toque especial para o mundo profissional? 

Mulheres e homens têm olhares singulares que se complementam. O olhar mais sistêmico é da natureza feminina. Temos mais habilidades para fazer a gestão de pessoas, somos mais criativas e resilientes. Praticamos mais a empatia. Sem dúvida faz a diferença, tanto nas relações pessoais quanto nas profissionais.

 
Costumo dizer que não vim ao mundo para competir. Vim para somar e agregar 

Quais são as mulheres que te inspiram? E como elas te inspiram?

Vim de uma família de mulheres fortes. Minha bisavó, Gea Mansani, em um período em que a caça esportiva era permitida, preparava toda a estrutura para que os homens da família tivessem sucesso em campo. Era a estrategista do grupo. Como se não bastasse, ainda preparava com maestria o alimento fruto da caça e reunia toda a família em torno da mesa para celebrar. Isso sem falar da minha avó Maria Anita, da minha prima Aida Mansani, e, é claro, a minha super mãe, Luísa, entre outras. Aprendi desde cedo que as conquistas são diárias, assim como as escolhas. Cada um constrói a sua trajetória. Tenho algumas mulheres que me inspiram, como Zilda Arns, Malala Yousafzai, Irmã Dulce, entre tantas outras que lutam ou lutaram por causas nobres. Porém, hoje, com toda a crise oriunda da COVID-19, são tantas as mulheres heroínas que eu vejo nascer diariamente que me inspiram, pessoas anônimas que nos mostram o quanto podemos fazer a diferença na sociedade.

Que conselho você daria às mulheres que estão começando a carreira profissional?

O conselho que eu daria é que o sucesso deixa rastro. Já tiveram pessoas antes que abriram caminho. Encontre essas trilhas e percorra-as com as suas habilidades e competências. As agulhas que costuram são mais importantes que as tesouras que cortam. Seja agulha. Costure a sua jornada com capricho. Outro conselho que eu daria, e que eu não tive no meu início de carreira, é para ter um mentor.

 
Aprendi desde cedo que as conquistas são diárias, assim como as escolhas

O que você ainda gostaria de realizar? Qual é o seu grande sonho para a vida ou a profissão?
Ah, eu ainda quero realizar muitos projetos. Tenho muitas coisas que pretendo fazer acontecer. Sou inquieta e criativa. O ‘Vale dos Trilhos’ é um deles. Vocês ainda vão ouvir falar muito dele. Quanto aos sonhos, eu tenho muitos. Estamos falando de vida. E o que é a vida senão sonhar e realizar?

Defina o que é ser mulher em poucas palavras. 
Ser mulher é ser muito mais que aparência, é ser a sua essência. É, acima de tudo, ter liberdade de escolhas.

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