20/12/2021 às 11h51min - Atualizada em 20/12/2021 às 11h51min

O cara da pedreira, um especial do Dia das Crianças e a próxima viagem à lua. Por Giovani Favero

Entre as muitas atividades de Paulo Leminski – escritor, poeta, letrista, publicitário, judoca –, estava talvez, quem diria, a de primeiro ecologista espacial de que temos registro

Por Giovani Marino Favero
Foto: Reprodução
No primeiro semestre de 2013, passando pela livraria, como é meu costume sempre que vou ao shopping center, me deparei com a coletânea Toda Poesia do Paulo Leminski, recém-lançada na época. Comprei e devorei o livro no final de semana com uma empolgação juvenil. A sensação de alegria com a leitura veio com um questionamento: o paranaense não se orgulha de seus ícones culturais. Acho que nem os conhece. Leminski é "o cara da pedreira" para a maioria.
 
Voltei na livraria e comprei seis exemplares de Toda Poesia. Eu participaria de seis bancas de mestrado nos próximos meses e cada convidado de fora do estado recebia um livro do Leminski. Era um sentimento bacana, presentear algo com orgulho, “esse cara aí é daqui e é único”.
 
O tempo passou e propositadamente o livro ficou no banheiro de visitas com a sua capa em uma cor laranja-avermelhada. Muita gente leu enquanto fazia algo tão bonito quanto uma bela cagada. 

Agora em 2021, a minha filha de 14 anos me disse que o livro de que eu gosto, o da capa laranja, vai cair no PSS da UEPG. Pronto, foi a deixa para eu aproveitar a exposição do Museu Campos Gerais sobre Paulo Leminski e levar ela para conhecer um dos maiores paranaenses que já existiram.
 
Fomos numa quinta-feira quente, e tivemos a explicação apaixonada da mestre Ana Claudia Pereira Andruchiw. A viagem na vida do Leminski é maravilhosa, as várias faces do gênio são absurdamente grandes. 

Em determinada parte, Ana nos mostrou o especial Pirlimpimpim, que passou na Globo no início dos anos 80. Eu nem imaginava que parte de todo aquele programa apresentado no Dia das Crianças tinha participação do Leminski. Uma das músicas desse show televisivo foi composta e cantada junto com o cantor Guilherme Arantes, e falava da prepotência dos astronautas em ir ao espaço fazer xixi nas estrelas. Um pensamento questionador para a época.

Hoje, 40 anos depois, a NASA informou que a próxima missão tripulada para a lua terá como um dos objetivos retirar os 96 pacotes de dejetos humanos deixados na superfície do satélite em missões anteriores.
 
Paulo Leminski era múltiplo. Entre muitas de suas atividades – escritor, poeta, letrista, publicitário, judoca –, estava talvez, quem diria, a de primeiro ecologista espacial de que temos registro.

GIOVANI MARINO FAVERO é escritor e pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade Estadual de Ponta Grossa
 

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