05/01/2022 às 18h41min - Atualizada em 05/01/2022 às 18h41min

Família acusa UPA Santana de negligência após jovem morrer por "causas desconhecidas"

Jovem de 28 anos, mãe de dois filhos, deu entrada na unidade de saúde e morreu no local; família cogita abrir processo

Da redação
Foto: Reprodução
A família de Letícia do Carmo Fernandes (foto), de 28 anos, cobra explicações para a morte da jovem e acusa a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Santana de negligência. A dona de casa e mãe de dois filhos – uma menina de nove anos e um menino de 12 – morreu do dia 31 de dezembro por causas desconhecidas, conforme consta na certidão de óbito, após ter procurado atendimento pela terceira vez na unidade de saúde

Segundo os familiares, Letícia deu entrada na UPA no dia 29, por volta das 7h, queixando-se de fortes dores nas costas. Ela teria sido examinada, ficado por um tempo no soro e depois mandada de volta para casa sem realizar nenhum tipo de exame. “Em casa, ela começou a vomitar e, por volta das 19h, o marido dela a levou novamente à UPA. A minha irmã ficou de novo no soro e mais uma vez foi para casa”, conta o irmão, Paulo Fernandes, ao portal NCG. “Ela tomou os remédios que o médico prescreveu, mas chegou a jogar fora, dizendo que não estavam fazendo efeito”, complementa o marido, Alexandre Meira dos Santos.

O quadro de saúde da jovem só piorou e, no dia seguinte, ela retornou à unidade de saúde pela terceira vez. Os familiares relatam que tiveram dificuldade de conversar com o médico e, quando viram Letícia, ela já estava muito abatida, apresentando dificuldade para falar. “Chegamos por volta das 19h e encontrei com ela um pouco antes das 2h, quando ela estava indo para a cama tomar soro. Durante todo esse período, ela ficou sentada na cadeira, esperando por atendimento”, lembra o irmão.

Com a jovem em observação, o marido passou a madrugada no local e o irmão retornou para a casa. “O médico foi ‘grosso’ e não quis falar comigo. Daí uma enfermeira disse que ela faria um procedimento de imagem no abdômen, mas somente no dia seguinte, porque dependia de agendamento no Pronto Socorro. Então, fui para casa e retornei às 9h do dia seguinte”, relata o irmão.

Pela manhã, Paulo encontrou a irmã caminhando pelos corredores e, duas horas depois, foi informado que ela havia morrido. “Quando eu a encontrei, ela ainda aguardava pelo exame, que só seria feito após o almoço, por falta de horário. A enfermeira falou para eu levar o meu cunhado tomar um café e, durante o café, uma assistente social ligou pedindo para que eu retornasse ao hospital, quando nos deu a notícia”, relata. 

Explicação

Abalados, os familiares cobram uma explicação para o ocorrido. “Só nos disseram que, na hora que voltaram para ver o soro dela, ela já estava sem sinais vitais. Será que foi aplicado algo forte no soro, que ela não resistiu? Ou, se tivessem feitos os exames nela já na primeira vez que levamos, ela poderia ter sido medicada corretamente e estar viva agora”, questiona o irmão.

A família pretender conversar com um advogado por ter convicção de que houve negligência no caso da jovem. A Prefeitura já foi procurada e, segundo Paulo, até sexta-feira (7) devem estar prontos o laudo médico e prontuários. “A minha irmã era nova, tinha a vida inteira pela frente e dois filhos que agora provavelmente vão ficar comigo. Os nossos pais já morreram e o marido dela, que era o padrasto das crianças, trabalha bastante”, comenta. 

Resposta

O portal NCG entrou em contato com a assessoria da Fundação Municipal de Saúde (FMS), que confirmou que a paciente deu entrada na UPA Santana no dia 30 de dezembro, às 6h30, com relato de dor nas costas, passou por consulta médica e foi liberada. Relata ainda que a jovem retornou ao final do mesmo dia, sendo novamente atendida. 

“Devido a alterações nos sinais vitais, o médico que a atendeu optou por solicitar exames de sangue e mantê-la em observação. Os exames demonstraram alterações sugestivas de uma grande infecção de foco abdominal. Diante da gravidade, o médico prescreveu a paciente, cadastrou-a na Central de Leitos, mas infelizmente ela veio a apresentar um agravamento do quadro clínico e faleceu”, explica a FMS.

A fundação afirma ainda que a jovem recebeu todos os procedimentos médicos necessários. “Salientamos que, durante a sua estada na nossa instituição, a paciente recebeu as condutas necessárias e possíveis, de acordo com a sua hipótese diagnóstica. Lamentamos profundamente esse desfecho triste”, finaliza. 

Link
Notícias Relacionadas »
Fale pelo Whatsapp
Atendimento
Fale com NCG News!