18/01/2022 às 13h44min - Atualizada em 18/01/2022 às 13h44min

‘Tinder’ da Coreia do Sul limita fotos com máscaras para evitar decepções na vida real

Uso de máscaras aumentou as chances de os encontros cara a cara serem decepcionantes

Foto: Freepik
Enquanto o uso de máscaras segue sendo encorajado na Coreia do Sul como forma de proteção contra o coronavírus, alguns dos principais aplicativos de namoro do país asiático estão limitando a publicação de fotos com o rosto coberto nos perfis de paquera. O objetivo é evitar o disfarce de eventuais características do rosto que sejam consideradas fora dos padrões de beleza.

Se, em circunstâncias normais, já era comum que as fotos em aplicativos frequentemente fossem muito diferentes do que mostra a realidade, o uso de máscaras potencializou esse contraste e aumentou as chances de os encontros cara a cara serem decepcionantes para pelo menos um dos envolvidos.

Para os sul-coreanos, a prática ganhou até um nome: “magikkun”. O neologismo junta “mask” (máscara, em inglês) e “sagikkun” (fraude, em coreano). Em países do Ocidente, o ato de usar uma máscara para esconder imperfeições ou parecer mais atraente já vinha sendo chamado de “maskfishing” – uma referência a “catfish”, que é o termo usado para se referir a pessoas que criam perfis falsos para iniciar um relacionamento virtual.

Embora o número de perfis e a receita de aplicativos populares na Coreia do Sul, como o Blind Date, tenham quase triplicado à medida que cresciam as restrições impostas contra o coronavírus, o “magikkun” gerou incômodo entre os usuários.

“Muitos perfis têm fotos com máscaras, então nos asseguramos de que apenas uma foto com máscara seja permitida por perfil”, explicou o diretor-executivo do Blind Date, Kang Ba-da, ao jornal The Korea Herald.

Segundo ele, porém, um usuário que publica uma foto usando máscara, mas mostra mais que o rosto pode ter mais chances de sucesso no app. “Se for uma foto de corpo inteiro, acho que as pessoas ainda acham útil poder analisar o estilo e a proporção do corpo, mesmo com uma máscara”, disse.

Outros sites e aplicativos semelhantes também desenvolveram formas de tentar inibir o “magikkun”. O diretor-executivo da Hsociety Corp, uma empresa responsável por vários apps de namoro na Coreia do Sul, disse ao jornal que foram desenvolvidos rígidos controles de qualidade para garantir um conjunto equilibrado de fotos.

“Em muitas selfies tiradas ao ar livre ou em fotos de corpo inteiro, as pessoas estão usando uma máscara facial”, explicou Choi Ho-seung. “Por isso, estamos sendo flexíveis ao aceitar usuários [com esse perfil] quando eles têm outras fotos em que suas características faciais estão expostas com clareza.”

Em uma sociedade em que as aparências são tão importantes, os “feios” ou inseguros podem encontrar conforto na possibilidade de usar máscaras nos aplicativos de namoro, afirmou o professor Kwak Geum-Joo, da Universidade Nacional de Seul, ao Korea Herald.

“Se é para um site que não é verificado ou não é muito confiável e você está apreensivo em se expor, uma máscara no rosto pode ser muito útil”, disse.

E a prática até encontra respaldo científico. Pesquisadores da Universidade de Cardiff, no Reino Unido, publicaram um estudo na semana passada em que concluem que, antes da pandemia, as máscaras de proteção reduziam a atratividade das pessoas, mas esse cenário mudou com a emergência da crise sanitária. Se antes as máscaras tornavam as pessoas menos atraentes devido à associação com doenças, hoje, quando o equipamento se tornou quase onipresente, seu simbolismo foi ressignificado.

“Em um momento em que nos sentimos vulneráveis, podemos achar o uso de máscaras médicas reconfortante e, assim, nos sentirmos mais positivos em relação ao usuário”, explicou Michael Lewis, um dos autores do estudo.

Segundo Lewis, essa mudança está relacionada à psicologia evolutiva e aos critérios de seleção dos parceiros. Antes da COVID-19, a máscara podia indicar uma pessoa doente; agora, indica uma pessoa que se protege e não é negacionista, por exemplo.

Outra possível explicação, de acordo com o estudo, é que o uso de máscaras faz com que a atenção seja direcionada aos olhos dos usuários. E o cérebro humano, segundo os autores, tende a preencher as lacunas do que não é visto de maneira otimista – é claro que, em grande parte dos casos, a realidade contraria as expectativas.

A prática de usar máscaras já era comum em diversos países asiáticos, o que até os ajudou a controlar melhor o avanço da COVID-19 no início da pandemia. No Japão, por exemplo, a proteção facial se tornou recorrente principalmente após os surtos da chamada gripe espanhola, em 1918.

Hoje, a despeito do coronavírus, a máscara representa uma forma de se manter imune ao julgamento alheio em uma sociedade que leva a construção das reputações bastante a sério.
Na China, as máscaras também já eram utilizadas em decorrência da concentração de poluição no ar das grandes cidades. Na Coreia do Sul, o item de proteção, antes da pandemia, era considerado um acessório de moda, principalmente para os adolescentes.

Com informações da 'Banda B'

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