17/03/2021 às 14h58min - Atualizada em 17/03/2021 às 14h58min

Artigo: "A sociedade precisa escolher", por Everson Krum

Por mais dura que seja para a economia e para a geração de renda, a medida de Elizabeth é necessária e adequada

Por Everson Krum
Foto: Divulgação
O colapso causado pela pandemia da COVID-19 a que assistimos no sistema de saúde de Manaus e de outras cidades brasileiras chegou à região dos Campos Gerais, especialmente ao município de Ponta Grossa, polo regional. Dessa forma, as cenas com hospitais sobrecarregados e pessoas à espera de uma vaga hospitalar deixaram de passar na TV, em âmbito nacional, e passaram a ser a nossa realidade mais próxima.

O caminho que nos trouxe até aqui é longo e tortuoso. Primeiro, há um caráter de negação constante da doença, disseminado das mais elevadas autoridades (presidente da República, por exemplo) até os menores núcleos familiares e sociais. Um segundo fator que acelerou a nossa chegada até aqui é a falta de auxílio financeiro para aqueles que precisam do Estado neste momento, que são os mais necessitados e sem renda fixa. 

Esses dois quesitos (cultural e econômico) foram agravados por um terceiro: a falta de gestão técnica na questão da saúde. A preparação e o planejamento prévio do Brasil enquanto nação para enfrentar o cenário que se avizinhava se tornou um "sonho", ou pesadelo, cada vez mais distante. 

A mistura desses três fatores nos trouxe até aqui: um país sem adequada preparação estrutural para enfrentar a pandemia e correndo atrás de um plano concreto e viável para efetivar, em médio prazo, uma vacinação em massa da população. Dessa forma, chegamos a março de 2021, um ano após o começo da pandemia, patinando economicamente, fragilizados do ponto de vista psicológico e ainda com o sistema de saúde sob forte pressão. 

No caso de Ponta Grossa e dos Campos Gerais, a escalada da doença nos últimos dias preocupa: o nosso índice de mortes é consideravelmente maior do que aquele registrado em outras cidades, como Curitiba, e do que o país em termos gerais. Nesta terça-feira (16), a prefeita Elizabeth Schmidt (PSD) decidiu decretar novas medidas de enfrentamento à pandemia válidas até o dia 29 de março. 

Por mais dura que seja para a economia e para a geração de renda, a medida de Elizabeth é necessária e adequada. Acredito que a decisão da prefeita foi a mais acertada para dar sobrevida ao sistema de saúde, como também para dar fôlego à retomada da vacinação, especialmente para os grupos prioritários mais atingidos pela doença. 

Diante do atual cenário, nós, enquanto sociedade, teremos que escolher se vamos optar pelo atual caminho, enfrentando a tristeza de enterrar diariamente pessoas cada vez mais próximas e queridas, ou se acatamos medidas mais rígidas de distanciamento, enfrentamos os prejuízos financeiros que virão como consequência e damos uma nova chance à vida.

EVERSON KRUM é vice-reitor da UEPG e ex-diretor do Hospital Universitário 

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