09/02/2022 às 14h33min - Atualizada em 09/02/2022 às 14h33min

ARTIGO: A violência dentro de casa, por Jussara Prado

O tipo de violência mais comum dentro da família são os maus-tratos, uma violência que se repete e que se caracteriza pelo constrangimento, dor e sofrimento psíquico

Por Jussara Prado
Foto: Reprodução
Nos meus momentos de descanso, gosto de acompanhar o Big Brother para observar as relações e dinâmica de grupo que acontece dentro da casa mais vigiada do Brasil. E esses dias estava assistindo uma conversa entre Pedro Scooby, Douglas e Jade Picon, a qual me incomodou demais.

Scooby estava contando da vez que bateu em seu filho mais velho, Dom, de 9 anos, e narrou toda a cena que o levou à tal ato. Segundo ele, seu filho o respondeu de uma maneira que não deveria e ao invés de dialogar com o filho, ele bateu na boca de Dom. Toda a situação é narrada por Scooby rindo.

Esse é o tipo de situação que ouço dos meus pacientes quase todos os dias: maus tratos. O tipo de violência mais comum dentro da família são os maus-tratos, uma violência que se repete, podendo atingir mais de uma criança da família, e que se caracteriza pelo constrangimento, a dor e o sofrimento psíquico. 

Enquanto violência, não pense que seja somente a física não, como no caso de Scooby com seu filho. Mas também a patrimonial, psicológica, sexual...

Infelizmente, as crianças ainda hoje são vistas como propriedade, como um objeto de direito de seus “proprietários”. E essa visão vem desde a chegada dos europeus no Brasil, na qual marcou a história da infância com diversos atos de crueldade, pois elas eram submetidas a trabalhos forçados com tratamento desumano.

Parece difícil imaginar uma criança de 9 anos passando por tudo isso, não é mesmo? Mas, segundo o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, dos casos de violência contra crianças, 80% e 90% acontecem dentro do ambiente familiar. Só em 2021, foram recebidas mais de 119,8 mil denúncias de maus-tratos e violência contra crianças e adolescentes.

Essa violência sem significado interno, provoca marcas que não podem ser elaboradas psicologicamente sem um acompanhamento profissional. E pode seguir essa criança até o fim de sua vida, como um verdadeiro fantasma, atrapalhando o seu desenvolvimento, suas relações, saúde física e mental.

Eu acredito que a maioria das mães e pais desejam que seus filhos se desenvolvam bem, que tenham uma boa autoestima, sejam autoconfiantes, tenham responsabilidade e saibam se relacionar com outras pessoas. 

Mas para que uma criança se torne um adulto capaz de tudo isso, ela precisa estar inserida em uma família amorosa, carinhosa, que respeite sua individualidade, suas opiniões e que a eduque sem qualquer tipo de violência.

JUSSARA DORETTO BENETTI DO PRADO é psicóloga (CRP 08/25852). E-mail: jussaradbprado@gmail.com. Telefone: (42) 9-9827-3225. Instagram: @psicologa.jussaraprado


 
Link
Notícias Relacionadas »
Fale pelo Whatsapp
Atendimento
Fale com NCG News!