16/02/2022 às 15h25min - Atualizada em 16/02/2022 às 15h25min

ARTIGO: Medo do diagnóstico ou da responsabilidade? Por Jussara Prado

Dar nome, ou seja, diagnosticar, pode ajudar a pessoa a entender algo que está prejudicando a sua qualidade de vida há muito tempo. Mas junto do diagnóstico, vem também muito achismo

Por Jussara Prado
Foto: Reprodução
Já estamos em 2022 e, ainda assim, existem pessoas com medo de ir à terapia, com medo de conversar com uma psicóloga/psiquiatra, ou com medo de receber algum tipo de diagnóstico. 
 
Particularmente, eu não sou muito fã de sair por aí distribuindo diagnósticos para as pessoas que eu atendo. Trabalho muito mais em cima de “comportamentos”, “sentimentos” e sintomas”, do que “síndromes” e “transtornos”. Mas eu também reconheço a importância de nomear algo que traz muita angústia e sofrimento a alguém. 
 
Dar nome, ou seja, diagnosticar, pode ajudar a pessoa a entender algo que está prejudicando a sua qualidade de vida há muito tempo. E com isso, fazer algo para melhorar.
 
Mas junto do diagnóstico, vem também muito achismo. Muitas pessoas acreditam que a Psicóloga vai falar quando, como e o que elas precisam fazer com suas vidas para poderem melhorar. Mas não é bem assim que a banda toca, rs.
 
O profissional da Psicologia trabalha com base no código de ética da categoria e nos direitos humanos, logo, pode sim fazer algumas orientações e certos aconselhamentos. Mas, com o objetivo de que a pessoa possa tomar decisões autônomas cada vez mais saudáveis para a sua vida.
 
Nós podemos tomar uma atitude mais ativa no processo, quando essa pessoa está, de alguma forma, correndo risco de vida, acionando seus familiares e outros profissionais de saúde que lhe acompanham. Mas, no final das contas, a decisão sempre será da pessoa.
 
Muitas pessoas ficam mal-acostumadas com essa posição passiva, desde a infância, esperando que alguém venha cuidar, salvar... ficam apenas esperando.
 
E nesse eterno esperar, fogem da responsabilidade pelas suas decisões, sua saúde, relações e da sua própria vida. E esse é o ponto central da saúde mental, de diversos sintomas e diagnósticos.
 
A falta da autorresponsabilidade. A falta da pessoa se apropriar da responsabilidade que ela tem sobre suas próprias escolhas e qualidade de vida.
 
A Psicóloga não vai te pegar no colo ou escolher por você. Sinto muito se te desanimei com essa notícia. Mas ela vai te acolher incondicionalmente, sem nenhum julgamento e te ajudar nesse processo, orientando e caminhando junto contigo nessa jornada de autoconhecimento e autocuidado.
 
E mesmo que nós Psicólogas(os) tenhamos a maior vontade do mundo em querer te ajudar, de nada vai adiantar se você não quiser e não se empenhar. Até porque, o processo é 51% de responsabilidade da minha parte e 49% da sua. E se você não se comprometer e não se apropriar dessa responsabilidade, que é sua, o processo não vai fluir. Ah, e assim... se você não o fizer por você, ninguém o fará.

JUSSARA DORETTO BENETTI DO PRADO é psicóloga com foco em autoestima e relacionamentos. Instagram @psicologa.jussaraprado

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