28/02/2022 às 08h54min - Atualizada em 28/02/2022 às 08h54min

Padrasto e mãe de jovem autista Rômulo são indiciados em Ponta Grossa

Casal foi indiciado pela prática dos crimes de homicídio triplamente qualificado, tortura e cárcere privado

Da redação, com informações da Polícia Civil
Foto: Divulgação
A Polícia Civil indiciou o padrasto e a mãe do jovem autista Rômulo Luiz Fernandes Borges, de 19 anos pela prática dos crimes de homicídio triplamente qualificado, tortura e cárcere privado. Ele foi encontrado morto no dia 18 de fevereiro, em sua residência. 

As investigações começaram ainda no dia 18, quando as equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), deram atendimento a uma chamada do padrasto de Rômulo, que alegava que a vítima estava tendo um ataque convulsivo. Ao chegarem ao local e constatarem o óbito, os socorristas acionaram a polícia.

Com provas obtidas nas investigações, ficou comprovado que a vítima era mantida em cárcere privado na sua residência, em um banheiro desativado insalubre, onde era mantido amarrado e amordaçado. 

Contradições

Segundo a Polícia Civil, uma das divergências identificadas foi o fato de que o padrasto afirmou em interrogatório que, após a crise convulsiva do jovem, teria iniciado massagem cardíaca e ligado para a mãe da vítima, sem que parasse com o procedimento até a chegada da esposa. 

Nas câmeras de segurança, foi possível confirmar que, no horário que o padrasto disse que estava tentando salvar a vida de Rômulo, na verdade, ele estaria no telefone, no quintal da residência, apresentando sinais de nervosismo. Pelos sinais existentes no corpo da vítima identificados pelo médico do SAMU, no momento das ligações, o jovem já estaria morto.

As investigações também confirmaram que antes de acionar o socorro a cena do crime foi adulterada.

Na ligação realizada pelo padrasto ao SAMU, ele afirmou que teria tentado fazer respiração na vítima, também entrando em contradição com o que disse no interrogatório.

De acordo com o delegado Luis Gustavo Timossi, as provas coletadas indicam que o padrasto agrediu a vítima de forma violenta, o que resultou em sua morte.

Na casa da vítima, segundo a Polícia Civil, não foi encontrada nenhuma fotografia de Rômulo, mas vários quadros e pôsteres pendurados com fotografias dos outros filhos do casal, indicando que a vítima era indesejada na residência.

Embora os investigados tenham sido indiciados, por ter o delegado do caso afirmado que os elementos constantes dos autos são firmes na indicação da prática de homicídio triplamente qualificado, cárcere privado e tortura, foi pedido um prazo adicional para realização de diligências complementares que permitam compreender a exata dinâmica delitiva.

O delegado esclareceu ainda que embora a mãe de Rômulo não estivesse no local do crime no momento em que a vítima foi agredida e morta, ela se omitiu de seu dever de garantir a segurança de seu filho, permitindo que fosse agredido.

Denúncias

As diligências indicaram que os primeiros relatos de agressão ocorreram no ano de 2018, quando a mãe de Rômulo iniciou seu relacionamento amoroso.

Em uma das ocasiões, que resultou em denúncias da escola para os órgãos competentes, a mãe de Rômulo foi chamada na escola. Os profissionais teriam verificado marcas de cinta e fivelas na vítima, que apresentou também grande perda de peso.

Após as denúncias, Rômulo abandonou seu tratamento no local, não tendo sido mais permitido visitas dos profissionais à sua residência.

Como a vítima não era verbal, ele não tinha qualquer chance de denunciar os abusos sofridos.

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