15/03/2022 às 13h56min - Atualizada em 15/03/2022 às 13h56min

Super Mulheres: Brunna Rabelo Santiago, trabalhando para uma transformação feminista da sociedade

A professora de prática penal da UEPG conta sobre sua trajetória acadêmica e profissional, como supera os desafios da vida e contribui com a transformação da sociedade

Daniely Neiverth
Foto: Juliana A. C. Moraes
No Mês da Mulher, preparamos uma série de entrevistas com mulheres que atuam em Ponta Grossa e região, e que são professoras, empresárias, políticas, mães, avós e tudo o que elas quiserem ser. 

Brunna Rabelo Santiago tem 28 anos. É uma mulher nordestina que vive há seis anos no Paraná. Em 2016, se mudou para Jacarezinho (PR), onde iniciou mestrado em ciência Jurídica na Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP). Sempre se jogou de cabeça em seus sonhos e projetos, principalmente quando descobriu a sua área de atuação que é “Direito e feminismos”. Já na faculdade, iniciou a pesquisa científica nessa área com a professora orientadora Grasielle Borges, na Universidade Tiradentes, em sua cidade natal, Aracaju (SE). 

Quando passou na prova para ser monitora de teoria da pena, ainda na graduação, descobriu a paixão pela docência e começou a participar de Congressos, para apresentar suas pesquisas e construir o caminho para aprovação no mestrado. 

"Minha pesquisa no mestrado versou sobre a mulher em situação de prisão e a aplicabilidade de uma criminologia feminista. Pouco antes de concluir, fui aprovada na seleção para advogada do Núcleo Maria da Penha, um programa do governo do Paraná". Ali, iniciou o aprendizado da advocacia feminista e permaneceu por dois anos, quando se desvinculou para assumir como Diretora do Escritório Modelo (Núcleo de Prática Jurídica) da UENP. Por fim, ingressou no doutorado em Ciência Jurídica na UENP em 2020, aos 26 anos. 

Em 2021, foi aprovada na seleção para professora de prática penal da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), sendo convidada posteriormente para assumir a coordenação do Núcleo Maria da Penha da UEPG. Em busca de novos desafios e de crescimento pessoal e profissional, pediu desligamento da UENP e se mudou “de mala e cuia”, como se diz no nordeste, para Ponta Grossa, em 2022. 

"Atuo na área de Direito e feminismos há 9 anos, sou professora há 6 anos e advogada feminista há 4 anos." Toda sua família mora no nordeste, em Sergipe, mas são extremamente presentes. De acordo com Brunna, a força que tem para continuar, mesmo com a saudade, vem deles. A maior saudade é de seus irmãos: Beatriz, Natália, Bernardo, João Lucas e Pedro. "Tenho uma família que não segue o formato padrão de uma sociedade patriarcal e conservadora, e acho que vem daí minha busca por uma sociedade mais livre e aberta a todas as formas de afeto. São irmãos de diferentes pais, mães, que convivem e se respeitam numa mistura meio louca e repleta de amor". Seus pais, Christiane e Robério, a tiveram muito jovens, aos 17 anos. Fizeram e ainda fazem de tudo para lhe proporcionar todas as oportunidades de formação profissional e humana. "São meus melhores amigos, juntamente à minha avó Eloáurea, minha madrasta Nathália, meus avós Ceiça e Robério e uma boa mistura de tias, tios, primas, amigas e amigos de anos que são meu suporte fisicamente distante e emocionalmente sempre presente." 

Quais são as suas realizações pessoais e/ou profissionais que a deixam mais orgulhosa?

A realização pessoal com certeza são os laços de afeto que cultivo com as pessoas especiais que cruzaram meus caminhos. Sou muito dada e, mesmo me machucando algumas vezes por isso, sempre vou preferir me entregar aos encontros porque assim sigo vivendo cercada de amor e aberta a descobertas de outros mundos, outros convívios e uma infinidade de possibilidades que as relações humanas nos proporcionam. A realização profissional com certeza é trabalhar nesse projeto de contribuir para uma transformação feminista da sociedade, ou seja, uma transformação que permita a real participação como protagonistas de pessoas de diferentes gêneros, etnias, crenças, idades, sexualidades. Cada vez que possibilito a uma mulher a saída de um ciclo de violência, ou que inspiro alguma aluna/aluno a escrever sobre isso, ou até quando falo sobre essas transformações nas minhas aulas e palestras, fazendo as pessoas se questionarem, sinto-me realizada profissionalmente

O que te motiva a superar desafios?

As desigualdades do mundo e o constante contato com a arte. Cada vez que vejo as dores e também as belezas da vida, dois grandes opostos, nos livros que leio, nas exposições que visito, nas músicas que escuto, nas ruas quando corro, nos abraços que troco com quem amo, isso me toca tão profundamente que me sinto em constante movimento, sempre focada em dar o meu melhor por mim, pelos que amo e pelo mundo em que vivo. 

Quais são as mulheres que te inspiram?

Muitas mulheres me inspiram diariamente e constantemente por sua força e toda carga de aprendizado que me proporcionam, desde mulheres da minha família como minha mãe, minha madrasta, minha avó, até pesquisadoras como Márcia Tiburi, Alice Bianchini, Djamila Ribeiro e Grasielle Borges. Mas hoje escolho minhas irmãs e melhores amigas como resposta principal a essa pergunta, Beatriz e Natália, que mesmo muito jovens, já compreendem tão bem a importância do feminismo e me orgulham diariamente em suas falas e posicionamentos sobre o tema, tanto em nossas conversas quanto nas redações e trabalhos escolares. 

Para você, o que é ser mulher?

Ser mulher é aprender a ser mulher todos os dias. Vivemos em um mundo tão plural, tão diverso e ao mesmo tempo tão cruel com essas diferenças, que o caminho é nos colocar nessa posição de eterna construção, olhar atento e aprendizado, para perceber as violências às quais somos submetidas a todo tempo, os preconceitos que nos habitam mesmo em relação umas às outras e para compreender que a luta deve ser diária e de muito comprometimento, porque não se iludam, como diz Audre Lord, “Não serei livre enquanto alguma mulher for prisioneira, mesmo que as correntes dela sejam diferentes das minhas”.

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