24/03/2021 às 13h57min - Atualizada em 24/03/2021 às 13h57min

ARTIGO: "O colapso do comércio", por Everson Krum

Em momentos como o que vivemos, é essencial que o governo se faça presente ao estimular a economia e evitar retração e desemprego ainda maiores

Por Everson Krum
Foto: Divulgação
As autoridades ponta-grossenses adotaram uma medida corajosa, porém amarga, ao decidirem avançar para uma nova restrição de mobilidade (quase um 'lockdown') no município diante da crescente dos casos da COVID-19. A medida foi primordial para dar sobrevida ao sistema de saúde que ainda segue sobrecarregado. No entanto, agora cabe aos Governos do Estado e Federal observarem outros setores que precisam de auxílio, entre eles o comércio. 

Meu argumento é baseado em um eixo: em momentos de crise profunda como o que vivemos (crise na saúde, crise na economia etc) é essencial que o Estado (o governo, o aparelho estatal) se faça presente ao estimular a economia e evitar retração e desemprego ainda maiores. 

Algumas lideranças políticas já vêm apontando para esse caminho. Cito aqui dois deputados de orientação política diversa, mas que pensam da mesma forma no que diz respeito ao papel do Estado em "participar e ajudar". De um lado, o deputado Plauto Miró (DEM) já destacou que o Governo precisa participar propondo um auxílio econômico aos cidadãos para contribuir com o 'giro'. De outro, o deputado Requião Filho (MDB) já expôs um pedido para que o Estado prorrogue o prazo para pagamentos de empréstimos. 

Por mais que sejam medidas diferentes, ambas focam no mesmo aspecto: dar fôlego econômico para que, por um lado, os cidadãos mantenham o mínimo do consumo e, por outro, o setor comercial possa tomar fôlego, inclusive com a suspensão e adiamento de pagamentos de impostos e empréstimos. Isso se faz necessário diante do contexto que vivemos: atuamos primeiro para salvar vidas e agora buscamos encontrar um equilíbrio econômico. 

No âmbito municipal sabemos que o "cobertor é menor", há menos orçamento para esse tipo de ação. Mas o município poderia apostar na busca de linhas de crédito para pequenos negócios, como forma de também dar a sua parcela de contribuição. Em Ponta Grossa, o Conselho de Cultura já aprovou a destinação de R$ 250 mil do setor cultural para um edital emergencial em prol dos artistas e produtores culturais locais. 

Vivemos um momento em que não faz sentido falar de Estado com participação mínima na economia. Em todo o mundo, vemos governos e estados-nações atuando, primeiro, para salvar vidas e em seguida para conter danos às suas economias. Neste caso, os brasileiros, os paranaenses e, mais especialmente, os ponta-grossenses precisam fazer o mesmo movimento.

É preciso manter o dinheiro circulando e, como cidadão, também apostar e prestigiar os pequenos comerciantes que são o elo mais fraco dessa corrente. Com essas ações, outras áreas de serviços, comércio e profissionais liberais serão beneficiadas. Teremos consumo e renda para advogados, dentistas, contadores, clínicas diversas, pet shops, lojas de roupas e acessórios, e outros integrantes da economia local e regional com segurança sanitária e previsão de dias melhores. 

EVERSON KRUM é vice-reitor da UEPG e ex-diretor do Hospital Universitário 

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