01/04/2021 às 16h39min - Atualizada em 01/04/2021 às 16h39min

Com R$ 50 mi de prejuízo, VCG volta a pedir que município “tome as rédeas” da situação

Empresa alega que o fluxo financeiro da operação só pode ser retomado com a participação do poder público

Da redação, com assessoria
Foto: Divulgação

Em nota divulgada à imprensa e colaboradores na tarde desta quinta-feira (1), a Viação Campos Gerais (VCG) afirma que a paralisação do transporte coletivo em Ponta Grossa vai causar um colapso “inevitável” na concessionária. Diante desse fato e de todos os prejuízos, que já chegam a R$ 50 milhões, causados por mais de um ano de pandemia, a empresa diz que o fluxo financeiro da operação só pode ser retomado com a participação do poder público no custeio.

No comunicado, a concessionária alega que vem avisando o município há mais de um ano sobre a necessidade de uma avaliação atenta do sistema de transporte, de modo a garantir a manutenção do equilíbrio da concessão, mas diz que a Prefeitura não se mobilizou no sentido de procurar alternativas. “Não se tem notícia de nenhuma avaliação profunda que tenha sido feita sobre a situação a fim de encontrar alternativa que garantisse a não interrupção do serviço prestado à população”, diz a nota.

O comunicado ressalta ainda que nenhum dos “inúmeros” ofícios protocolados junto à Prefeitura sobre o risco de colapso no sistema, conforme foi ocorrendo o seu agravamento desde março do ano passado, foram respondidos até o momento. “Com o surgimento da pandemia, o sistema de transporte coletivo, que a própria Constituição estabelece como um serviço essencial, rapidamente perdeu a sustentabilidade econômico-financeira”, relata o informe.

A viação observa também que, se até agora a população não havia sofrido com a interrupção do transporte e os colaboradores vinham sendo pagos regularmente, isso se deve aos esforços da empresa, “que fez absolutamente tudo” ao seu alcance para honrar o contrato com o município e os compromissos com parceiros e colaboradores. No entanto, a decretação da paralisação do sistema de transporte cortou o “já insuficiente” fluxo financeiro da operação, que agora só pode ser retomado com a participação do poder público.

“Esperamos que o município possa finalmente tomar as rédeas da situação assumindo a responsabilidade que tem com a empresa contratada, com os seus colaboradores e com toda a comunidade ponta-grossense”, conclui a nota.


Confira o comunicado na íntegra: 

A Viação Campos Gerais é uma empresa que se orgulha de sua tradição na operação do sistema de transporte coletivo de Ponta Grossa.

Junto com seus colaboradores, a VCG vem prestando ao longo dos anos o serviço que lhe é determinado pelo Município com extrema eficiência. Em toda história, sempre excedemos os parâmetros avaliativos do Poder Público, sem nunca deixar de honrar com nossos compromissos, sejam estes com nosso contratante, parceiros, colaboradores ou usuários. 

Até pouquíssimo tempo, jamais havíamos atrasado um dia sequer os compromissos com nossos colaboradores em toda nossa história. 

Temos alertado o poder público há mais de um ano da necessidade urgente, a exemplo de diversos municípios que o fizeram, de uma avaliação detida sobre o sistema de transporte para manutenção do equilíbrio da concessão. 

Com o surgimento da pandemia, o sistema de transporte coletivo, que a própria constituição estabelece como um serviço absolutamente essencial à população, rapidamente perdeu sua sustentabilidade econômico-financeira.

Não se tem notícia de nenhuma avaliação profunda que tenha sido feita sobre a situação pelo município afim de encontrar alternativa que garantisse a não interrupção do serviço prestado à população. 

Vale ressaltar que nenhum dos inúmeros ofícios protocolados junto à Prefeitura sobre o risco de colapso no sistema, conforme foi ocorrendo o seu agravamento ao longo dos meses, desde março de 2020, foram respondidos até o presente momento.

É compreensível as dificuldades que esta situação vem impondo a todos nós, mas o Poder Concedente é o responsável direto pela sustentabilidade do serviço, cabendo à empresa apenas obedecer às determinações e executá-lo conforme exigido. Era previsível que a manutenção da operação determinada pelo Poder Público, quase que na sua integralidade durante o período pandêmico, com as receitas cobrindo pouco mais que a metade do custo, não gerariam outro resultado que não o colapso total hoje vivido.

Desde o início desse período pandêmico, a VCG já registrou mais de 50 milhões em perdas econômicas e financeiras para chegar prestando o serviço até este momento, e não tem mais condições de arcar com estas perdas que ainda vem sendo acumuladas. 
 
Importante lembrar que o caos atual só ocorreu à medida que as ações efetivas de enfrentamento da crise não foram tomadas pelo poder público, especialmente logo no início do problema, quando ainda não tinha a proporção que atingiu atualmente. 

Para o Poder Público esta situação não é nenhuma surpresa, até porque possui todas as informações necessárias à análise da situação e dos prejuízos causados, as quais, inclusive, estão totalmente públicas no Portal da Transparência da AMTT (aqui). 

Se até agora a população não havia sofrido com a interrupção do transporte, e os nossos colaboradores vinham sendo pagos regularmente, apesar de todas as dificuldades, isso se deve aos esforços da VCG, que fez tudo, absolutamente tudo, que estava em seu alcance para honrar seu contrato com o município e seus compromissos com parceiros e colaboradores. A decretação da paralisação do sistema de transporte, contudo, cortou o já insuficiente fluxo financeiro da operação, que agora só pode ser retomado com a participação efetiva do poder público em seu custeio. 

Estamos totalmente sensibilizados com a situação de nossos funcionários que estão sem salário. É uma situação que nos dói profundamente, porque sabemos o quanto estes não mediram esforços para manter a linha de frente deste serviço essencial em meio à pandemia, e agora, assim como a VCG, sofrem diretamente as consequências desta situação que jamais deveria ter ocorrido, e poderia ter sido evitada, especialmente se tratada logo em seu início, lá em março/abril de 2020.

Agora, sem o envolvimento do Município que, reforce-se, é sim o responsável pela sustentabilidade econômica do sistema, o colapso é inevitável. 

Neste cenário, perde a empresa, perdem os funcionários, perde o comércio, perde toda a comunidade. Esperamos que o município possa finalmente tomar as rédeas da situação assumindo a responsabilidade que tem com a empresa contratada, seus colaboradores e toda a comunidade ponta-grossense. 

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