04/04/2021 às 15h26min - Atualizada em 04/04/2021 às 15h26min

“Hoje eu amo quem sou, amo o meu corpo”, diz jovem de PG que faz ‘cosplay’ sensual

Mais do que lhe render uma graninha mensal, os ensaios sensuais de Letícia Martins lhe deram algo muito mais importante: a autoestima

Da redação
Foto: Arquivo pessoal
O Japão exerce um extraordinário fascínio sobre a mente de muitos jovens ocidentais. E com a ponta-grossense Letícia Martins, de 21 anos, não foi diferente. Primeiro ela se encantou com os animes, como são conhecidos os desenhos animados japoneses. Depois, por volta de 2016, a jovem avançou mais um pouco e conheceu o mundo do cosplay, hobby que consiste em se fantasiar como personagens de desenhos, jogos eletrônicos ou histórias em quadrinhos. Por fim, em 2020, após atingir a maioridade, ela avançou ainda mais e mergulhou no universo do cosplay sensual, a versão para maiores de 18 anos. Contando com mais de 1.200 seguidores no Instagram, ela faz a alegria de homens (e mulheres) do Brasil e do exterior vendendo pacotes de fotos sensuais que custam entre R$ 80 e R$ 150. Mas, muito mais do que lhe render um faturamento mensal de aproximadamente R$ 600, os ensaios eróticos de Letícia lhe devolveram a autoestima. “Hoje eu amo quem sou, amo o meu corpo, amo a pessoa que me tornei e estou me tornando”, garante ela. Quer saber mais sobre tudo isso? Leia a entrevista a seguir.

Você está se destacando em Ponta Grossa nesse segmento de venda de fotos sensuais pelas redes sociais. Como você se sentiu no começo? Te constrangia?

Não, muito pelo contrário, fez sentir eu me muito melhor. Eu realmente estava fazendo o que eu gostava, e até fez eu me sentir melhor comigo mesma.

Você publica fotos com legendas em português e inglês. Por quê?

Por incrível que pareça, o público que mais consome os meus conteúdos é de fora. Porém, eu gosto muito de produzir conteúdo nas redes sociais. Então, por isso eu faço os posts em duas línguas.

Você tem fãs? Tem uma pessoa que compra regularmente as suas fotos?

Sim. É um gringo muito gentil. Ele sempre compra conteúdos novos quando eu lanço.


Qual foi a coisa mais curiosa ou marcante que você já ouviu de um fã?

Tem um rapaz que já comprou todos os ensaios cosplay que eu fiz. Ele é muito querido, sempre me pergunta como eu estou e me ajuda no engajamento das minhas redes sociais.

Mulheres também compram?

Sim. Eu fiquei muito feliz. Já foram duas. Compraram para entender melhor o meu trabalho. E foram muito queridas.

Você acha que a sociedade enxerga isso como algo errado? 

Infelizmente, há muitas pessoas que entendem isso como algo errado, mas eu sempre procuro informar que, na verdade, pessoas que vendem conteúdo para maiores de 18 anos não estão fazendo nada de errado. Infelizmente, esse pensamento de que nós estamos erradas dá entrada para dizerem que os nossos conteúdos devem ser vazados, e aí é que existe a inversão de moralidade.


Você teve algum problema com a sua família quando começou a vender fotos?

Não. Depois que eu fiz 18 anos, sempre conversei com os meus pais sobre fazer fotos sensuais, e eles não ligavam muito. Então, quando comecei a vender e a lucrar com isso, eles me apoiaram, e ainda me apoiam muito.

Você é uma modelo ‘plus size’. Esse trabalho te ajuda de algum modo no aspecto da autoestima?

Nossa, e como me ajuda! Primeiro que eu não tinha nenhuma noção de como eu era. Eu tinha sérios problemas de achar que eu era enorme, e não me permitia usar certas roupas, fazer algumas coisas. Mas, com o cosplay, eu passei a prestar mais atenção nas características humanas, em detalhes de roupas, objetos, e passei a ser mais observadora, a me olhar no espelho e tirar fotos, e, aos poucos, eu fui entendendo como eu era. Hoje eu amo quem eu sou, amo o meu corpo, amo a pessoa que eu me tornei e estou me tornando. Fazer fotos sensuais, então, faz eu me sentir a verdadeira ‘mulherão da porra’, sabe? Me empoderou muito! E hoje, com certeza, eu sou uma mulher diferente da que eu era lá em 2016, quando entrei no meio cosplay. O cosplay só mudou a minha vida para melhor, e sou imensamente feliz por isso. Fico feliz também de saber que hoje eu estou inspirando muitas mulheres a se aceitarem como são, e que não há nada de errado com elas ou com os seus corpos.

Quais são os personagens que você mais gosta de fazer?

Essa pergunta é bastante engraçada, pois os meus personagens variam entre uma garota fofa como a Princesa Peach, e personagens completamente sensuais como a Evelynn, de ‘League of Legends’. E, bem, eu me sinto muito bem em ambos. Eu gosto de me sentir a princesa fofa, mas também a famosa fêmea fatal.


Quanto tempo leva, em média, para fazer um cosplay?

Depende muito. Enquanto há cosplays que eu fiquei seis meses fazendo, há outros que em 15 dias eu conseguia finalizar. Tudo depende da disponibilidade das coisas que eu vou usar. Muitas vezes, eu já tenho as coisas em casa, então fica fácil, mas há coisas que preciso mandar fazer ou encomendar de fora do país.

Qual é seu cosplay que te dá mais orgulho?

Olha, essa pergunta é difícil para qualquer cosplayer (risos), mas o cosplay de que tenho maior orgulho, de fato, é o meu cosplay de Princesa Peach. Já participei de muitos eventos com ele, e sempre tenho uma recepção carinhosa de todas as idades. Sem contar que esse cosplay já me fez ganhar vários concursos, em deles aqui em Ponta Grossa. 



Letícia indica cinco animes para quem quiser conhecer melhor esse universo: 

1) The Promised Neverland

2) Death Note (meu favorito)

3) Shingeki no Kyojin (para aqueles que querem chorar)

4) Love is War (romance e muita comédia) 

5) Toradora

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